<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510</id><updated>2011-12-15T02:51:46.817Z</updated><title type='text'>Arquivos do RAF</title><subtitle type='html'>Aqui vou guardar alguns dos posts que escrevi no Blasfémias, é não só, e que pretendo ter «à mão».

Não vai ter mais do que uma função de aquivo.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>39</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-115098363830340396</id><published>2006-06-22T14:29:00.000+01:00</published><updated>2006-06-22T14:40:38.333+01:00</updated><title type='text'>Pensamento liberal e neo-liberal e Doutrina Social da Igreja: “O regresso ao individualismo” (III)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O regresso ao individualismo:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que uma análise histórica, que tem aqui apenas uma função de enquadramento, importa sobretudo reflectir sobre o presente e sobre o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior desafio do século XXI – e nesse ponto assiste-se a um cada vez maior alinhamento entre o pensamento liberal e católico – passa precisamente pela promoção de um regresso ao individualismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O individualismo tem sido – na minha perspectiva, como veremos, erradamente – excessivamente associado ao egoísmo. Tal radica na incompreensão da ideia central do liberalismo, pois se é verdade que se reclama a protecção da esfera intangível do indivíduo e da sua liberdade como pressuposto para a sua afirmação plena, tal não significa que esta corrente de pensamento se esgote no “Eu”: o indivíduo é apenas o ponto de partida para uma abordagem mais vasta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A muitos dos presentes esta afirmação poderá soar estranha. Após mais de cem anos de experiências de pendor socialista e colectivista, a defesa do indivíduo e da sua liberdade surgem, na sociedade europeia, com uma conotação negativa (cf. O Caminho para a Servidão, F.A. Hayek, Lisboa, Teoremas, 1977). Se é verdade que, com o progresso económico verificado no século XIX, a consciência da liberdade se alargou a largas camadas das populações dos países industrializados (cf. hoc sensu, Hayek, op. cit.), a defesa intransigente do laisser faire contaminou a significação liberal do termo, ao mesmo tempo que abriu a porta para que, paulatinamente, certas sociedades fossem abandonando os princípios basilares do pensamento individualista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acresce que a palavra “Liberdade” tem sido usada com múltiplas significações, quantas vezes deturpando aquele que deveria ser, numa perspectiva liberal, o seu conteúdo essencial: o socialismo, v.g., no seu processo histórico de afirmação, a dada fase apropriou-se e transfigurou a expressão “Liberdade”; como bem identificou Hayek (cf. op. cit.):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O advento do socialismo seria [segundo os seus defensores] um salto do reino da necessidade para o reino da liberdade (…). Para que o homem pudesse ser verdadeiramente livre, o “despotismo da necessidade material” deveria ser vencido, e atenuadas “as restrições decorrentes do sistema económico”.&lt;/blockquote&gt;Esta noção de “Liberdade” mais não é do que uma mutação semântica resultante da fusão entre as palavras riqueza e redistribuição. O socialismo pretendia assim acelerar o processo económico, com o objectivo de antecipar as etapas que a revolução industrial não tinha ainda (pretensamente) permitido atingir, usando rótulos e expressões próprias do pensamento liberal. Foi com base na promessa de uma “maior liberdade” – leia-se, mais riqueza e sua subsequente redistribuição, que permitiria ultrapassar o estado de necessidade – que o socialismo seduziu diversos intelectuais e se afirmou como doutrina dominante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que em sociedades como a nossa, onde as doutrinas de base social (nas suas diversas acepções) estão enraizadas no subconsciente de uma boa parte dos cidadãos, não se estranhe que a palavra “redistribuição” esteja semanticamente associada a “desprendimento” e “generosidade”, ao mesmo tempo que “arbítrio” e “liberdade individual” são qualificados como “egoísmos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo processo ocorreu em relação à ideia de Justiça, a que se lhe acoplou um vazio mas poderoso adjectivo: “Social”. A um ponto tal que, como bem identificou Ayn Rand (no prefácio da sua novela “Anthem”), seja quase necessário, para se justificar uma conduta, catalogá-la de “social” e reconduzi-la a uma vaga ideia de “Bem Comum”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;“Social gains”, “social aims”, “social objectives” have become the daily bromides of our language. The necessity of a social justification for all activities and all existence is now taken for granted. There is no proposal outrageous enough but what its author can get a respectful hearing and approbation if he claims that in some undefined way it is for “the common good”. (Via &lt;a href="http://aartedafuga.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;A Arte da Fuga&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Não se quer, hoje e aqui, recuperar um individualismo atomista e exacerbado, onde se coloque – como acima se disse – um enfoque apenas no “Eu”. Tal terá de ser o ponto de partida para uma ordem espontânea, mas onde o indivíduo – ou a “pessoa” – tem necessariamente de ser um agente activo: pois numa sociedade em que os cidadãos, individualmente considerados, se demitem de participar; que não consegue constituir-se a partir da sua base, seja na família, seja na comunidade; seja em instituições intermédias de carácter voluntário; no fundo, uma sociedade que não é capaz de se organizar à escala do cidadão (no sentido que lhe foi dado por Tocqueville); está a “escancarar as portas” para que se instalem os mais distintos “colectivismos” (esta é, aliás, uma das maiores lições da nossa história recente). Quer-se uma sociedade construída de “de baixo para cima”, com menores escalas e maior interdependência, que consiga atenuar o impacto da burocracia e da alienação associadas aos processos colectivos de decisão, que resista à tentação de procurar orientar a acção dos indivíduos com base na cegueira da “Lei” e das “Grandes Opções do Plano”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se, assim, de dar mais ênfase à generosidade, à iniciativa, ao princípio da subsidiariedade, do que à solidariedade, à coação, aos direitos e às ficções legais que nos conduziram até à sociedade “asséptica” em que vivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diagnóstico está mais do que feito; falta apenas coragem para dar um passo em frente: o Estado tem vindo a assumir, na nossa sociedade, um papel cada vez mais interventivo no plano da prestação social. Por decreto, criaram-se direitos, aos quais se conferiu dignidade constitucional, colocando-os, por via compulsiva, no topo das prioridades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sistemática transferência de funções relevantes de auxílio e assistência dos indivíduos e da sociedade civil para o Estado – à laia da “solidariedade” – tem tido, contudo, e com uma frequência preocupante, efeitos perversos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um lado, os indivíduos são privados – por via da imposição crescente de impostos – de uma boa parte dos meios necessários para poderem, eles próprios, organizarem as suas vidas e, no limite, serem bondosos. A nossa liberdade de escolha, a possibilidade de promover a generosidade – aquela que possa resultar dos nossos actos voluntários – fica limitada aos recursos que sobejam após o pagamento de várias “dízimas”. Por outro lado, colocam-se os cidadãos, sobretudo os mais carenciados, na estrita dependência da “magnanimidade” estatal, naquilo que são os aspectos essenciais para a sua realização integral (na educação, na saúde, na habitação, nos transportes, na capacidade de assistir aos que lhe são queridos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não se pense que estamos apenas perante uma questão económica: o Estado, ao chamar a si a função “solidariedade”, financiando-se junto dos cidadãos, subtilmente – com “mãos de veludo”, como gosto de dizer – desresponsabiliza-os, torna-os cada vez mais “frios” (e, como se verá mais adiante, crescentemente amorais): destroem-se laços de afectividade, de familiaridade, de sentido comunitário e de vizinhança; é que por “lei” cabe ao Estado cuidar de cada um de nós; os impostos são o preço a pagar para que o cidadão se “libere” dos seus deveres de assistência. A “solidariedade” é apresentada como uma noção abstracta, de natureza “constitucional”, executada por entes orgânicos – por “instituições” e por “profissionais” – a partir de directrizes definidas por via legal e política; é algo que nasce na “esfera dos direitos”, que se “impõe”, que não frutifica na relação humana; não há sequer espaço, pelas próprias circunstâncias em que é praticada, para o conhecimento do “Outro”: falta-lhe a dimensão afectiva que só existe na generosidade praticada em liberdade, isto é, manifestada em actos voluntários de indivíduos concretos. O “Welfare State” – e todas as correntes que o suportam – conduz à desresponsabilização dos indivíduos (quer eles queiram, quer não), subroga-se nos seus deveres fundamentais, centraliza a prestação, esvazia a sociedade civil das suas funções e desagrega o tecido social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistimos, assim, a um paradoxo: os cidadãos, por um lado, estão limitados na sua capacidade de serem generosos, porque uma boa parte dos recursos lhe são sonegados por via dos impostos; por outro lado, e do ponto de vista constitucional, é ao Estado que compete prestar e promover o bem-estar, dispondo dos meios para tal; pelo que legalmente se “libera” o indivíduo – repito, quer ele queira, quer não – do dever de assistência aos que lhe são próximos, potenciando egoísmos e privilegiando modos de vida sem laços nem raízes. Tudo em defesa da “Liberdade”, e de uma sociedade mais “Justa” e mais “Solidária”, obviamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As novas gerações – entre as quais, a minha – ignoram em boa medida que, se a moral é por essência um fenómeno de condução pessoal, ela só pode existir se a decisão se concentrar na esfera da autonomia individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Para lá do indivíduo, fora da responsabilidade pessoal, não há nem bondade nem maldade, nem possibilidade de mérito moral. &lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;[Pergunto]&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Será que existe um valor moral na decisão se não formos responsáveis pelos nossos interesses e livres para sacrificá-los?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que altruísmo existe quando este é praticado à custa do esforço de terceiros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A responsabilidade – não perante um superior, mas perante a própria consciência – a compreensão de um dever não imposto pela coacção, a necessidade de resolver qual das coisas a que damos valor devemos sacrificar a outra e aceitar as consequências da nossa decisão – eis aí a essência de toda a regra moral digna desse nome.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;Todas estas ideias, apresentadas por Hayek (cf. op. cit.) nos anos 40, ganham no nosso contexto particular acuidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa sociedade recheada de meios o que falta é regressar à exigência: mas a uma exigência não imposta, nem assente em mecanismos de coacção. Existem hoje, como nunca, meios materiais, mas vivemos na ausência de uma verdadeira liberdade, que confronte o indivíduo com as suas responsabilidades, e motive o seu espírito de iniciativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou, como escreve Bento XVI, na sua Deus Caritas Est (28.b):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O amor — caritas — será sempre necessário, mesmo na sociedade mais justa. Não há qualquer ordenamento estatal justo que possa tornar supérfluo o serviço do amor. Quem quer desfazer-se do amor, prepara-se para se desfazer do homem enquanto&lt;br /&gt;homem. Haverá sempre sofrimento que necessita de consolação e ajuda. Haverá sempre solidão. Existirão sempre também situações de necessidade material, para&lt;br /&gt;as quais é indispensável uma ajuda na linha de um amor concreto ao próximo. Um Estado, que queira prover a tudo e tudo açambarque, torna-se no fim de contas uma instância burocrática, que não pode assegurar o essencial de que o homem sofredor — todo o homem — tem necessidade: a amorosa dedicação pessoal. Não precisamos de um Estado que regule e domine tudo, mas de um Estado que generosamente reconheça e apoie, segundo o princípio de subsidiariedade, as iniciativas que nascem das diversas forças sociais e conjugam espontaneidade e proximidade aos homens carecidos de ajuda. A Igreja é uma destas forças vivas: nela pulsa a dinâmica do amor suscitado pelo Espírito de Cristo. Este amor não oferece aos homens apenas uma ajuda material, mas também refrigério e cuidado para a alma — ajuda esta muitas vezes mais necessária que o apoio material. A afirmação de que as estruturas justas tornariam supérfluas as obras de caridade esconde, de facto, uma concepção materialista do homem: o preconceito segundo o qual o homem viveria “só de pão” (Mt 4, 4; cf. Dt 8, 3) — convicção que humilha o homem e ignora precisamente aquilo que é mais especificamente humano.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;É este o regresso ao individualismo que me motiva. Que gostava, também, que fosse o vosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo Adão da Fonseca&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-115098363830340396?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/115098363830340396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/115098363830340396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2006/06/pensamento-liberal-e-neo-l_115098363830340396.html' title='Pensamento liberal e neo-liberal e Doutrina Social da Igreja: “O regresso ao individualismo” (III)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-115098277254268560</id><published>2006-06-22T14:25:00.000+01:00</published><updated>2006-06-22T14:26:57.526+01:00</updated><title type='text'>Pensamento liberal e neo-liberal e Doutrina Social da Igreja: “O regresso ao individualismo” (II)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Os conceitos abertos de Liberalismo e Doutrina Social da Igreja:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o Liberalismo não é uma ideologia, mas uma espécie de escatologia política aberta, uma corrente de pensamento que acomoda várias tendências e abordagens, com uma tradição plurisecular e multicultural; ao contrário do marxismo, o liberalismo não é uma doutrina de paternidade conhecida, sendo antes “filho” e “neto” de vários pensadores, expresso numa conceptualização ampla e até difusa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, do mesmo modo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a Doutrina Social da Igreja, por seu lado, se apresenta também de uma forma aberta, como um conjunto orgânico amplo, uma acumulação dos ensinamentos da Igreja sobre os problemas sociais da modernidade. Procura ser um auxílio para os cristãos na sua acção temporal; ao colocar-se no plano das “respostas”, e tendo trespassado todo o século XX, é um pouco o espelho do tempo em que foi construída, reflectindo nos seus textos aquelas que foram as tensões verificadas no século mais longo e vivido da história da humanidade; é, em certa medida, o resultado de um diálogo entre o pensamento liberal-capitalista e as diversas asserções do socialismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste particular, seria interessante analisar, na Doutrina Social da Igreja, quais as abordagens que, tendo tido a sua validade história, poderão estar ultrapassadas; e como é que a Igreja – e sobretudo os seus seguidores – poderão hoje encarar os desafios de um mundo totalmente diferente daquele que Leão XIII observou quando, em 1891, publicou a sua importantíssima “Rerum Novarum”; ou daquele que conduziu, nos anos 60, João XXIII às suas “Mater et Magistra” (1961)” e “Pacem in Terris” (1963), ou Paulo VI até à “Ecclesiam Suam” (1964) ou à “Populorum Progressio” (1967).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noto ainda que, ao contrário daquilo que é convicção de alguns, os caminhos do Liberalismo e da Doutrina Social da Igreja não são necessariamente dissonantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta convicção poderá ter algum fundamento histórico, sobretudo no facto de Leão XIII ter escrito a sua “Rerum Novarum” como resposta à situação de miséria do proletariado industrial, criticando o laisser faire, ao mesmo tempo que se afastava do marxismo como solução para aquilo que era a “questão operária”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É também por demais evidente que, sobretudo nos anos 60 (“Mater et Magistra”, de 1961; “Pacem in Terris” de 1963; “Ecclesiam Suam”, de 1964; “Populorum Progressio”, de 1967) e 70 (em especial a Carta Apostólica “Octagesima Adveniens”, de 1971), mas também nos anos 80 (“Laborem Exercens”, de 1981; e “Sollicitudo Rei Socialis”, de 1987), a Doutrina Social da Igreja foi bastante utilizada para suportar a afirmação constitucional e social dos chamados “direitos de segunda geração” – ou “direitos sociais” – ainda que temperando as suas posições pela consagração – pouco apimentada, na minha visão – do princípio da subsidiariedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, também não é difícil encontrar uma forte influência do pensamento liberal em várias encíclicas; destaco, pela sua importância e actualidade, as referências constantes na Encíclica “Centesimus Annus”, publicada por João Paulo II em 1991, onde se sintetizam as respostas da Igreja, cem anos após a publicação da “Rerum Novarum”, a um mundo distinto nascido da desagregação do marxismo. Um dos grandes admiradores do pensamento liberal (embora fundamentalmente neoconservador), o norte-americano Michael Novak, trouxe a público em 1993 uma extensa conversa pessoal mantida entre João Paulo II e Hayek (Prémio Nobel da Economia em 1974 e provavelmente o mais conhecido autor da Escola Austríaca), um pouco antes da morte deste, e que segundo este pensador terá influenciado uma boa parte da “Centesimus Annus”, em particular os capítulos 31 e 32 (cf. Escola Austríaca – Mercado e Criatividade Empresarial, Professor Huerta de Soto, Lisboa, Espírito das Leis e Causa Liberal, 2005).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo Adão da Fonseca&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-115098277254268560?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/115098277254268560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/115098277254268560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2006/06/pensamento-liberal-e-neo-liberal-e_22.html' title='Pensamento liberal e neo-liberal e Doutrina Social da Igreja: “O regresso ao individualismo” (II)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-115098264811706027</id><published>2006-06-22T14:21:00.000+01:00</published><updated>2006-06-22T14:24:08.130+01:00</updated><title type='text'>Pensamento liberal e neo-liberal e Doutrina Social da Igreja: “O regresso ao individualismo” (I)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Introdução: o risco da catalogação e da compartimentação das ideias:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na discussão das ideias, por vezes sofremos a tentação de as “compartimentar”, “rotulando-as” e “reduzindo-as” a conceitos simples e directos, fechando-as em “pacotes” a que gostamos de chamar “ideologias”; colocamo-las ainda sob tensão e conflito, confrontando-as numa abordagem dialéctica, em busca de uma “luz”, de uma síntese que nos satisfaça; no fundo, todos procuramos “respostas” clarividentes, que nos deixem sem dúvidas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é esse, contudo, o momento. Se há, aliás, ideia que caracteriza adequadamente o nosso tempo, ela é a de “complexidade”; o planeta parece que gira cada vez mais rápido, a uma escala que o torna imprevisível; toda esta dinâmica global força o indivíduo a confrontar-se com as suas limitações; o homem, no século XXI, perdeu as certezas, estando cada vez mais afastado dos seus antepassados racionalistas, dos “cientistas sociais”, de todos aqueles que se sentiam capazes de apreender a “essência do real” apenas através da razão; as visões cartesianas persistem, mas estão hoje em crise, pois todas as suas respostas laboratoriais – completas, translúcidas, transparentes, capazes de funcionar como cartilha ideológica – chocam com a realidade e com os processos continuados e acelerados de mudança. A globalização trouxe uma nova e mutável “catalaxia”, que se vive, mas que nem sempre se observa, pois a sobreposição de imagens e a amplitude espacial em que estas são produzidas e exibidas estão para lá do nosso reduzido “alcance visual” (da nossa capacidade de apreensão e conhecimento): hoje, o “olho humano” é incapaz de perspectivar a globalidade; mais do que nunca, observamos o mundo por um monóculo, produzindo pensamentos fechados sobre a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, nesta apresentação, vou procurar escapar ao simplismo em que cairia se me preocupasse em fazer apenas o estrito paralelismo entre liberalismo e doutrina social da igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até porque tal seria um enorme erro. Veremos de seguida porquê!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo Adão da Fonseca&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-115098264811706027?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/115098264811706027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/115098264811706027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2006/06/pensamento-liberal-e-neo-liberal-e.html' title='Pensamento liberal e neo-liberal e Doutrina Social da Igreja: “O regresso ao individualismo” (I)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113690164419360487</id><published>2006-01-10T13:57:00.000Z</published><updated>2006-01-10T14:13:59.623Z</updated><title type='text'>Cartas a Ícaro</title><content type='html'>&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;CARTA A ÍCARO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://oacidental.blogspot.com/2006/01/hayek-no-inventou-roda-e-muito-menos.html"&gt;Caro Henrique Raposo&lt;/a&gt;,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No teu texto, critiquei apenas duas das ideias que apresentas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;i) &lt;/span&gt;&lt;a href="http://blueloungecafe.blogspot.com/2006/01/liberalismo-globalizao-e-o_113675113206761268.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#3366ff;"&gt;a suposta semelhança entre Hayek e certos neo-marxismos&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, ideia que, sem desprimor por V. Exa., carece de fundamento científico - apresentada, utilizando as tuas palavras, com uma &lt;/span&gt;&lt;a href="http://oacidental.blogspot.com/2006/01/hayek-no-inventou-roda-e-muito-menos.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;confrangedora fragilidade de &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;argumentação&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; - mas que de tanto ser repetida na credível blogosfera portuguesa, qualquer dia, na lógica do «reconhecimento inter-subjectivo» que anda tão em voga, ainda se torna numa meia-verdade; como não conheço nenhum autor relevante que tenha deduzido essa crítica a Hayek, achei que poderia ser útil fazer esta ressalva, explicando as diferenças essenciais entre o processo dialéctico, historicista e fechado do marxismo e a matriz aberta, assente na ordem espontânea do abordagem de Hayek (&lt;/span&gt;&lt;a href="http://blueloungecafe.blogspot.com/2006/01/liberalismo-globalizao-e-o_113674733083360623.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;ideia que se cruza também com a parte III)&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ii) &lt;/span&gt;&lt;a href="http://blueloungecafe.blogspot.com/2006/01/liberalismo-globalizao-e-o_113674836390004954.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;a hiperbolização que fazes do papel do Estado na actual globalização e a visão que lhe subjaz&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; (que se cruza, também, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://blueloungecafe.blogspot.com/2006/01/liberalismo-globalizao-e-o_113674733083360623.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;com a parte III&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;): De nada no meu texto resulta que os Estados não têm o seu papel no actual processo de globalização; apenas digo que o Estado é um dos players da globalização, a par de muitos outros, num processo onde se constata tem perdido capacidade de controlo, muito longe da margem de manobra que dispunha o Estado Soberano do século XX. Podes sempre defender que, na tua visão política das coisas, o Estado tem um papel de relevo, e que deveria ter um papel maior - o que é uma posição legítima; agora, quem seja deste mundo verifica que o Estado, na cena política mundial, teve de «descer uns degraus» para entrar na interacção com inúmeros outros centros de poder que ganharam peso nos últimos trinta anos. Não sei se no futuro o Estado se vai desagregar, vai recuperar a sua posição, se vai implodir. Todos os cenários são possíveis. Limitei-me a apresentar a perspectiva de quem vê múltiplos agentes em actuação e constata que nem sempre - e cada vez menos - a vontade do Estado é aquela que se impõe no mundo real. Sem mais qualificações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fiz em ambos os textos, onde apenas pretendi apresentar uma visão diferente (&lt;/span&gt;&lt;a href="http://blueloungecafe.blogspot.com/2006/01/liberalismo-globalizao-e-o.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;como aliás bem frisei aqui ser a minha intenção&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;), nenhuma critica pessoal, nem há nada, nem uma só linha, que te diminua enquanto pessoa (&lt;/span&gt;&lt;a href="http://oacidental.blogspot.com/2006/01/hayek-no-inventou-roda-e-muito-menos.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;o mesmo já não acontece no teu post, mas paciência&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://oacidental.blogspot.com/2006/01/hayek-no-inventou-roda-e-muito-menos.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não vou responder a uma parte significativa do teu texto&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, porque pessoalmente a forma como está escrito e o seu tom acintoso o desqualifica para uma discussão séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://oacidental.blogspot.com/2006/01/hayek-no-inventou-roda-e-muito-menos.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Apenas te esclareço, porque isso coloca em causa a minha idoneidade, que ao longo da vida já me submeti a muitas «aulas» de história e de política internacional, e de muitas outras coisas que tu nem sabes que existem, tendo sido avaliado por verdadeiros professores, em Portugal e no estrangeiro, e a sua apreciação entre outras coisas me habilita, de acordo com os regulamentos em vigor na universidade que frequento, a Católica, e caso fosse essa a opção, a um doutoramento&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;; infelizmente, acumulo este meu interesse pela ciência política com aquilo que é a minha actividade principal, uma profissão qualificante e exigente, e que é o meu verdadeiro centro de afirmação, e que na gestão das prioridades me impede de ir mais além. Ainda assim, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://oacidental.blogspot.com/2006/01/hayek-no-inventou-roda-e-muito-menos.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;é desagradável que conduzas uma mera discussão de ideias a um ponto destes, diminuindo desta forma quem se dá ao trabalho de debater contigo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;. Achas bem entrar por esse campo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://oacidental.blogspot.com/2006/01/hayek-no-inventou-roda-e-muito-menos.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pensava que era possível discutir ideias contigo, com uma certa abertura&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, mas vejo que és mais um nome a abater na minha lista de pessoas com interesse; afinal, não tens o nível que aparentavas. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://oacidental.blogspot.com/2005/12/grandes-vistos-em-2005-ii.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#3366ff;"&gt;Espero que continues fascinado com o teu próprio conhecimento e com o teu brilhantismo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;. Paciência. É a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo Adão da Fonseca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CARTA A ÍCARO II&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://oacidental.blogspot.com/2006/01/o-lobo-mau.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#3366ff;"&gt;Meu caro Henrique Raposo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://blueloungecafe.blogspot.com/2006/01/carta-caro.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;No meu post anterior&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; procurei separar bem as águas, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://blueloungecafe.blogspot.com/2006/01/carta-caro.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;dando-te nota das duas críticas centrais que fazia aos teus posts&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, tentando recentrar a discussão que tinhas conduzido entretanto para a estratosfera. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://oacidental.blogspot.com/2006/01/o-lobo-mau.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#3366ff;"&gt;Na tua resposta voltas a baralhar tudo, para voltar a dar&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;i) &lt;/span&gt;&lt;a href="http://blueloungecafe.blogspot.com/2006/01/liberalismo-globalizao-e-o_113675113206761268.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#3366ff;"&gt;Em relação à segunda crítica que te faço&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, dizes que não falaste em Hayek, mas em Friedman e Bentham; curiosamente, nos argumentos que utilizei em relação a esta questão, eu próprio não falei em Hayek, como poderás constatar &lt;/span&gt;&lt;a href="http://blueloungecafe.blogspot.com/2006/01/liberalismo-globalizao-e-o_113675113206761268.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#3366ff;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;; não percebo porque razão agora dizes que não falaste em Hayek: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://blueloungecafe.blogspot.com/2006/01/liberalismo-globalizao-e-o_113675113206761268.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#3366ff;"&gt;olha, eu também não&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ii) &lt;/span&gt;&lt;a href="http://blueloungecafe.blogspot.com/2006/01/liberalismo-globalizao-e-o_113674836390004954.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Apenas chamei Hayek à colação na crítica que faço à afirmação corrente que procura estabelecer semelhanças entre este autor e o pensamento marxista&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;; algo que nunca nenhum autor de renome - vivo ou morto - escreveu; esta crítica, para poder ter algum fundamento, deveria estar na minha óptica melhor fundamentada: a menos que consideres ter neste plano descoberto a roda, a tal roda que os próprios críticos de Hayek nunca encontraram (e que bem arremessada o teria matado do coração, certamente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;iii) &lt;/span&gt;&lt;a href="http://oacidental.blogspot.com/2006/01/o-lobo-mau.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#3366ff;"&gt;Quanto às restantes considerações que fazes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, não perdi demasiado tempo a lê-las, porque são faltas de nível que só servem para te encher o ego e, eventualmente, estimular a tua auto-estima e sentido de masculinidade; são contudo irrelevantes de tão afastadas que estão daquilo que eu sou e da minha maneira de ver as coisas. Estás convencido que me deste uma bela reposta. Muito bem, sem dúvida. Se o Rui e o Helder consideram dignas as tuas afirmações, isso é lá com eles. Do que li, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://oacidental.blogspot.com/2006/01/pilinhas-e-humildade-estado-e.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, tenho dúvidas que neste momento tenham assim tão grande consideração pela forma «respeitosa» como escreves, e que estejam tão bem impressionados com a tua pessoa e com as tuas boas maneiras; agora, nestas coisas liberais, cada um fala por si. Ainda assim, lendo tudo o que produziste sobre este tema, tenho dúvidas que o teu problema seja comigo. Acho que é mais contigo. Mas, se queres saber, tanto me faz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;iv) &lt;/span&gt;&lt;a href="http://oacidental.blogspot.com/2006/01/o-lobo-mau.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#3366ff;"&gt;Podes falar de virgens em bordéis, de lobos maus, de vítimas e carrascos, dar cambalhotas, fazer o pino, mostrares a pilinha aos teus amigos, andar com eles nu de mota, ler a The Economist no w.c., dar a volta ao mundo em citações mirabolantes, demonstrando essência em cada píxel que preenches, tentando assim chamar a atenção do cosmos para o teu génio&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, que o que fica para mim desta discussão - e isso é que conta - &lt;/span&gt;&lt;a href="http://oacidental.blogspot.com/2006/01/hayek-no-inventou-roda-e-muito-menos.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;é o ressentimento e a forma como me procuraste diminuir como pessoa&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://oacidental.blogspot.com/2006/01/hayek-no-inventou-roda-e-muito-menos.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O que lá está escrito, lá está, e não foi elegante&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;. Em tudo o que eu escrevi, não encontras nada que te diminua. Nem que te ponha em causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que diferenças ideológicas, são outras as que nos separam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;v) &lt;/span&gt;&lt;a href="http://blueloungecafe.blogspot.com/2006/01/carta-caro.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Estás riscado por isso da minha lista&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;. Não por diferenças ideológicas - aliás, sempre consegui manter saudáveis discussões com muitas pessoas fora do meu quadro de pensamento, chegando em geral a (des)acordo sem animosidade - mas porque dela não consta quem me diminui. Mas fica sossegado, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://oacidental.blogspot.com/2006/01/o-lobo-mau.html"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;color:#3366ff;"&gt;que não te vou riscar da minha lista no sentido marxista do termo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;. Embora, a escreveres assim, não vá faltar quem qualquer dia te acerte o passo. Alguém com menos sangue-frio do que eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo Adão da Fonseca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113690164419360487?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113690164419360487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113690164419360487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2006/01/cartas-caro.html' title='Cartas a Ícaro'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113292762642774577</id><published>2005-11-25T14:04:00.000Z</published><updated>2005-11-25T14:07:06.433Z</updated><title type='text'>Selecção de textos do Blasfémias</title><content type='html'>Aqui vou guardar alguns dos &lt;em&gt;posts&lt;/em&gt; que escrevi no Blasfémias, e que pretendo ter «à mão».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vai ter mais do que uma função de aquivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo Adão da Fonseca&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113292762642774577?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113292762642774577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113292762642774577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/11/seleco-de-textos-do-blasfmias.html' title='Selecção de textos do Blasfémias'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113312633270017399</id><published>2005-10-21T23:00:00.000+01:00</published><updated>2005-11-27T21:20:49.116Z</updated><title type='text'>«O que é um Esquerdista?», pergunta o meu amigo Gabriel</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;A propósito de um &lt;a href="http://ablasfemia.blogspot.com/2005/10/ilha.html"&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;em&gt;post &lt;/em&gt;meu&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, pergunta o Gabriel Silva:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.haloscan.com/comments/blasfemia/112984790535487186/#260962"&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;O que é um esquerdista? Um comunista, um socialista, um social-democrata, um democrata-cristão? Todos?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;Gabriel Silva &lt;a title="http://ablasfemia.blogspot.com" href="http://ablasfemia.blogspot.com/"&gt;Homepage&lt;/a&gt; 10.21.05 - 12:22 am &lt;a title="Link to this comment" href="http://www.haloscan.com/comments/blasfemia/112984790535487186/#260962#260962"&gt;#&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu caro Gabriel,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquerdista, no século XXI, é alguém que culpabiliza a «&lt;em&gt;globalização&lt;/em&gt;» pelo «&lt;em&gt;actual estado de coisas&lt;/em&gt;»; que considera que o mundo está &lt;em&gt;caótico&lt;/em&gt; devido a uma «&lt;em&gt;deriva neo-liberal&lt;/em&gt;» que enraizada nos centros de poder visa malevolamente «&lt;em&gt;destruir os direitos dos trabalhadores conquistados a pulso por dois séculos de lutas&lt;/em&gt;»; é alguém que reconhece que há uma «&lt;em&gt;crise&lt;/em&gt;», mas que se recusa &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt; a pôr em causa «&lt;em&gt;o modelo social europeu&lt;/em&gt;», altura do debate em que o elevar da voz e o discurso radical impedem qualquer discussão analítica e objectiva; é alguém que se diz progressista e se julga de mente aberta mas que impede qualquer ímpeto reformista que ponha em causa o seu &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt;; é, portanto, um &lt;em&gt;conservador&lt;/em&gt;, embora esteja convencido do contrário, porque defende acerrimamente a alteração do &lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt; do «vizinho do lado», sobretudo se tiver cometido o &lt;em&gt;pecado capital de acumular&lt;/em&gt; licitamente e pelo seu mérito qualquer riqueza; é alguém que afirma com forte convicção ser «&lt;em&gt;essencial manter a coesão social&lt;/em&gt;», traduzindo-se essa «&lt;em&gt;coesão&lt;/em&gt;», na prática, precisamente no contrário, numa «&lt;em&gt;manutenção de privilégios&lt;/em&gt;», nem que seja à custa da &lt;em&gt;fractura&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;desagregação sociais&lt;/em&gt; e no avolumar das &lt;em&gt;explorações interclassistas&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;geracionais&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser Esquerdista é ter como prioridade o «&lt;em&gt;combate ao desemprego&lt;/em&gt;», mas com uma perspectiva enviesada, apresentando o emprego, criado por decreto e protegido por mecanismos legais, como o impulsionador do crescimento económico; ignorando ser a &lt;em&gt;produtividade&lt;/em&gt; e a &lt;em&gt;competitividade&lt;/em&gt; os &lt;em&gt;motores do emprego&lt;/em&gt; e da &lt;em&gt;estabilidade laboral&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser Esquerdista &lt;em&gt;é dizer que Cavaco Silva,&lt;/em&gt; apesar de ser social-democrata&lt;em&gt;, é de Direita&lt;/em&gt;, porque «&lt;em&gt;tem o apoio do grande capital e dos poderosos, que se arregimentaram em redor da sua candidatura&lt;/em&gt;». Ser Esquerdista é ter sempre um dedo indicador em riste contra a Direita, acusando-a de ser «Fascista», ao mesmo tempo que se fala com &lt;em&gt;ternura,&lt;/em&gt; recordando a &lt;em&gt;Sierra Maestra&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;histórias mirabolantes de Che Messias e seus Apóstolos&lt;/em&gt;, de &lt;em&gt;regimes opressores&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;ditadores facínoras&lt;/em&gt;; ser Esquerdista significa defender &lt;em&gt;ao mesmo tempo&lt;/em&gt; o &lt;em&gt;Pluralismo&lt;/em&gt; e uma &lt;em&gt;Educação de sentido único&lt;/em&gt;, sem considerar existir aí qualquer contradição intrínseca; ser Esquerdista significa, em muitos casos, dizer-se amante da Cultura sem comprar um livro, defender a subsidiação de espectáculos que ninguém vê, na esperança que daí surja um Bach ou um Verdi, ser a favor de uma RTP 2 pública, mas estar sempre «ligado» na TVI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser Esquerdista é considerar pacífica a ideia de que é necessário combater a política «&lt;em&gt;imperialista de George W. Bush e dos EUA&lt;/em&gt;», sem se dar ao trabalho de compreender o fenómeno político norte-americano; significa ser-se receptivo à ideia de que nos EUA existe um «&lt;em&gt;Terceiro Mundo&lt;/em&gt;», insultando com isso os países que vivem efectivamente na pobreza e na miséria; significa ser-se sempre contra Israel, e a favor da Palestina, sem conseguir explicar porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser Esquerdista é ser-se a favor do combate à fome em África, obviamente por via da &lt;em&gt;solidariedade&lt;/em&gt;, das &lt;em&gt;campanhas pro-esmola&lt;/em&gt; e de &lt;em&gt;manifestações civico-musicais&lt;/em&gt; que ajudam a acalmar as consciências e aliviam a alma; numa versão mais radical podem &lt;em&gt;partir-se montras&lt;/em&gt; de multinacionais opressoras; ser Esquerdista é recusar que a solução para a fome e para a doença nos países pobres passa em grande medida pelo &lt;em&gt;fim das barreiras alfandegárias&lt;/em&gt; e pela implementação de &lt;em&gt;regras justas no comércio internacional&lt;/em&gt;, fonte de efectivo progresso, por se considerar que isso põe em causa o «&lt;em&gt;Modelo Social Europeu&lt;/em&gt;» e abre lugar à exploração «neo-capitalista» (tem de ser «neo» senão lá se perde a carga pejorativa) de povos miseráveis que deveriam mas é reivindicar o direito a férias, a subsídios, a reformas e não ficarem satisfeitos, &lt;em&gt;nesta fase do seu desenvolvimento e face aos seus níveis de produtividade&lt;/em&gt;, com a possibilidade de trabalhar para &lt;em&gt;matar a fome&lt;/em&gt; e adquirirem por essa via alguma &lt;em&gt;dignidade&lt;/em&gt;. Ser Esquerdista é não ver qualquer contradição entre a defesa do fim dos «&lt;em&gt;Muros da Vergonha&lt;/em&gt;» em Ceuta e Melilla e a manutenção dos verdadeiros «Muros» que são as barreiras alfandegárias e os subsídios à Agricultura na União Europeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser Esquerdista hoje é &lt;em&gt;ter medo da mudança&lt;/em&gt;. É desprezar a «&lt;em&gt;Economia&lt;/em&gt;» em favor das «&lt;em&gt;Pessoas&lt;/em&gt;», ignorando que os recursos são &lt;em&gt;escassos&lt;/em&gt;. É confundir Produção e Crescimento com Redistribuição. É viver convencido que há almoços grátis e soluções sem esforço. É acreditar que existem ricos em número suficiente para «&lt;em&gt;pagar a crise&lt;/em&gt;», não compreendendo que essa mais não é do que uma forma retórica ardilosa de onerar as classes médias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser Esquerdista, hoje, é mais ou menos isto. Quem se revê numa boa parte destas ideias mas, de uma forma &lt;em&gt;constrangida&lt;/em&gt;, aceita «&lt;em&gt;ceder&lt;/em&gt;» em alguns pontos para «&lt;em&gt;salvar o Modelo Social Europeu&lt;/em&gt;», é um «&lt;em&gt;moderado&lt;/em&gt;» Socialista/Social-Democrata/Democrata-Cristão, conforme a roupagem que cada um prefere vestir. Os que não cedem nem uma vírgula, numa atitude conservadora, são Comunistas. Os que vivem &lt;em&gt;obcecados&lt;/em&gt; com o Bush e com os EUA, com a falta de subsídios à cultura, gostam de roupa de marca, não lhes passa pela cabeça trabalhar numa linha de produção, mas desejam ainda no seu íntimo a Revolta do Proletariado, onde eles mandem, são do Bloco de Esquerda, ou então «&lt;em&gt;anacletos neo-submarinos&lt;/em&gt;», militantes do PS que votam às escondidas na «&lt;em&gt;Esquerda Lux&lt;/em&gt;».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo é que, no início deste novo século, o «&lt;em&gt;Fim da História&lt;/em&gt;» está longe de estar escrito; a «&lt;em&gt;Revisão da História&lt;/em&gt;», essa sim, foi devidamente promovida, e as &lt;em&gt;Novas Esquerdas&lt;/em&gt;, com discursos bem recalibrados, com novos «&lt;em&gt;amanhãs que cantam&lt;/em&gt;», libertos dos constrangimentos criados pela Queda do Muro de Berlim, estão aí, dispostas a distribuir «&lt;em&gt;ópio ao povo&lt;/em&gt;».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo Adão da Fonseca&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113312633270017399?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113312633270017399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113312633270017399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/10/o-que-um-esquerdista-pergunta-o-meu.html' title='«O que é um Esquerdista?», pergunta o meu amigo Gabriel'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113330674534144445</id><published>2005-09-17T12:12:00.000+01:00</published><updated>2005-11-29T23:25:45.353Z</updated><title type='text'>Democracia e Liberalismo</title><content type='html'>No século passado, habituamo-nos a ver apresentadas as expressões Democracia e Liberdade como faces de uma mesma moeda. E bem: nas sociedades mais desenvolvidas, é consensual que sem Democracia não existe Liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha humilde opinião, contudo, o conceito «Democracia» foi, nesta relação, excessivamente valorizado. Acreditou-se que a sua mera adopção nos conduziria &lt;em&gt;necessariamente&lt;/em&gt; à Liberdade. A experiência de vivência em «Democracia» demonstrou-nos, contudo, que tal não é &lt;em&gt;líquido&lt;/em&gt; e que, afinal, a democracia &lt;em&gt;em si mesma&lt;/em&gt; não tem o &lt;em&gt;valor social&lt;/em&gt; que erradamente lhe atribuímos. A democracia é apenas uma &lt;em&gt;forma de governo&lt;/em&gt; das sociedades: a forma de governo que se impôs pelos seus méritos na generalidade dos países desenvolvidos. Mas que se limita afinal a afirmar a &lt;em&gt;soberania popular&lt;/em&gt;, que o poder emana da generalidade dos cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A democracia, como se disse, &lt;em&gt;não vale em si mesma&lt;/em&gt;, ao contrário do que é a convicção geral, tem uma &lt;em&gt;justificação funcional&lt;/em&gt;: é esse o seu &lt;em&gt;valor social&lt;/em&gt; (Kelsen): a finalidade da democracia - e já não é pouco - é tornar efectivos os valores da liberdade e a igualdade, sendo nisto que reside o seu principal potencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A soberania popular, é por demais sabido, manifesta-se através do voto. Na impossibilidade prática de se construir uma sociedade governada a partir da base, é nas eleições que escolhemos os nossos representantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Liberalismo, por seu lado, tem outro tipo de preocupações; seja fundado no Jusnaturalismo ou inspirado num certo Utilitarismo, defende que o indivíduo possui, pela sua própria natureza ou em busca da felicidade, uma esfera (intangível ou objectiva) de direitos, considerados fundamentais (&lt;em&gt;v.g.&lt;/em&gt; direito à vida, à propriedade, à segurança). A salvaguarda destes direitos é tida como essencial para a afirmação individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, numa óptica liberal, a acção do Estado, da actuação colectiva, pode condicionar de uma forma agressiva a esfera dos direitos individuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, mais do que saber &lt;em&gt;quem&lt;/em&gt; &lt;em&gt;nos governa&lt;/em&gt;, o liberalismo preocupa-se sobretudo i) com a clara &lt;em&gt;definição das funções&lt;/em&gt; que devem estar concentradas nas mãos &lt;em&gt;do Estado&lt;/em&gt; e; ii) como é que esse poder que é transferido para os agentes públicos (por via do «contrato social») pode/deve ser &lt;em&gt;tutelado&lt;/em&gt; pelos cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que é que os Liberais se «preocupam»? Porque compreendem que a &lt;em&gt;excessiva concentração de funções&lt;/em&gt; nos poderes públicos, aliada à &lt;em&gt;tirania da maioria&lt;/em&gt;, pode conduzir a um «regime democrático» que não respeite a intangibilidade da esfera individual. Pois se por um lado a democracia é a forma de governo que melhor serve o fundamento liberal - já que permite, numa sociedade que se quer baseada na igualdade, o acesso de todos à coisa pública - por outro «abre a porta» à tirania da maioria, &lt;em&gt;potencialmente&lt;/em&gt; mais danosa quanto maior for a dimensão do Estado (Tocqueville).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O alargamento durante o séc. XX do papel do Estado, para lá da protecção dos direitos fundamentais, concentrando na acção colectiva um conjunto de funções tidas como «sociais», conduziu-nos a um modelo de sociedade onde se consagram com frequência soluções próximas das &lt;em&gt;liberdades prescritivas&lt;/em&gt;, afastando-se ou esvaziando aquilo que deveria ser a adopção de um tipo de &lt;em&gt;liberdade negativa &lt;/em&gt;(tal como a apresentam Stuart Mill ou Isaiah Berlim).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe ainda uma manifesta &lt;em&gt;desproporção&lt;/em&gt; entre a multiplicidade de funções que se concentram na esfera Estatal e a forma &lt;em&gt;minimalista&lt;/em&gt; como a «soberania popular» é exercida: os cidadãos, &lt;em&gt;num só acto&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;por intermédio de um único voto&lt;/em&gt;, têm de escrutinar centenas de decisões com impacto directo sobre a sua esfera individual, &lt;em&gt;num processo de síntese complexo e por vezes contraditório&lt;/em&gt;. O processo eleitoral &lt;em&gt;perdeu&lt;/em&gt;, no actual contexto, &lt;em&gt;a sua vocação contratualista&lt;/em&gt;, para se tornar num cálculo «&lt;em&gt;para-matemático&lt;/em&gt;» onde buscamos desesperadamente um «&lt;em&gt;mínimo denominador comum&lt;/em&gt;» que sustente a nossa decisão (que Popper converte num simpático &lt;em&gt;eufemismo&lt;/em&gt; a que chama «possibilidade de se expulsar ou "despedir" governos»).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À volta do Estado gravitam, hoje, uma pluralidade de «interesses»/«interessados» que mais não fazem do que redistribuir entre si, sob a cobertura de um complexo manto legal, o poder que está concentrado na esfera pública, fora da tutela dos cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acresce que uma parte significativa da acção colectiva é feita sob a alçada directa do Estado, ou por seu impulso, longe daquilo que seria uma adequada actuação promovida ao nível da sociedade civil, por &lt;em&gt;instituições intermédias de carácter genuinamente voluntário&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com &lt;em&gt;mãos de veludo&lt;/em&gt;, o Estado e os seus agentes criaram uma rede de «interesses», de subvenções, desenvolveram retóricas que justificam a(s) sua(s) própria(s) existência(s), numa teia complexa e de difícil compreensão, ainda assim perceptivelmente incoerente e incongruente com muitos dos fins que assume(m) perseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cidadão comum, no início do século XXI encara, perplexo, toda esta realidade que não compreende; verga-se perante a &lt;em&gt;absolutização&lt;/em&gt; do Estado, &lt;em&gt;sacraliza&lt;/em&gt; os seus dogmas, alimenta-se das suas Utopias; «instrumentaliza-se», aceita o seu papel, vê o fenómeno político como uma boa «ponte» para concretizar os seus objectivos pessoais: «joga o jogo», onde por vezes ganha, por vezes perde, recusando-se a compreender o poder que teria se optasse por fazer escolhas verdadeiramente livres [quiçá Kelsen, &lt;em&gt;avant la letre&lt;/em&gt; (uma verdadeira blasfémia)].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo Adão da Fonseca&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113330674534144445?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113330674534144445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113330674534144445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/09/democracia-e-liberalismo.html' title='Democracia e Liberalismo'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296350333385291</id><published>2005-04-28T23:00:00.000+01:00</published><updated>2005-11-26T00:05:03.336Z</updated><title type='text'>Será o CDS um partido de "direita". E o PSD? (Abril de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;O CDS-PP e os seus seguidores orgulham-se de serem o único bastião da direita em Portugal. Nunca percebi bem porquê. Talvez algum saudosismo de parte dos seus militantes e simpatizantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CDS assume-se como um partido democrata-cristão e, nessa medida, é um partido conservador, pelo menos no que diz respeito aos chamados "costumes". Quanto à Europa, o CDS oscilou sempre entre o europeísmo de vanguarda de Francisco Lucas Pires e o cepticismo moderado dos seus restantes líderes, nomeadamente do actual, Ribeiro e Castro. No plano económico, o CDS é portador de uma mensagem social, que claramente o coloca no centro, próximo até do centro-esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é preciso ir muito longe para confirmar o que se diz: basta analisar com frieza algumas das bandeiras que o PP &lt;em&gt;desfraldou&lt;/em&gt; na última campanha eleitoral: a "salvação" das OGMA's, da Bombardier, dos Estaleiros de Viana, medidas eventualmente &lt;em&gt;louváveis&lt;/em&gt; mas que claramente não serão &lt;em&gt;de direita&lt;/em&gt;; ou que dizer do OGE de Bagão Félix, que eliminou benefícios fiscais para poder baixar ligeiramente as taxas de IRS das camadas mais baixas da população, acentuando a progressividade real do imposto? Ou da proposta apresentada por Maria José Nogueira Pinto, em pleno debate sobre a saúde, na RTP1, de cobrança do custo integral dos tratamentos aos cidadãos com rendimentos elevados como medida de "viabilização" do SNS?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CDS é um misto de partido conservador, de inspiração cristã, com tentações sociais, não sendo, em qualquer caso, um partido &lt;em&gt;genuinamente&lt;/em&gt; de direita. Para &lt;em&gt;ser&lt;/em&gt; de direita não basta &lt;em&gt;parecer&lt;/em&gt;, nem mesmo &lt;em&gt;querer&lt;/em&gt;; é preciso &lt;em&gt;fazer&lt;/em&gt;. E no exercício do Poder, o CDS nunca foi verdadeiramente de direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PSD é um partido eclético. É um partido de massas, não se assumindo como um partido de direita. Nos momento mais difíceis - como o actual - procura até recuperar as suas raízes sociais-democratas. Curiosamente, porém, é o partido que mais transporta o liberalismo - embora apenas a espaços - para o exercício do Poder. Basta pensar, por exemplo, quem foi o partido que teve a coragem de promover as privatizações, ou baixar, recentemente, o IRC para 25%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a viragem do país à esquerda, CDS e PSD decidiram retomar a sua "doutrina social".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal, hoje, não tem, ao nível partidário, uma verdadeira direita. Com franqueza, e olhando para aquilo que alguns nos apresentam, até será melhor que ela nem exista de uma forma evidente, ou que se mantenha na sua actual irrelevância, para que não sejamos todos confundidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é essencial é que o PSD, quando recuperar a sua energia e encontrar novamente o caminho do Poder, descubra que tem vocação e capacidade suficientes para assumir um programa de governo que incorpore uma alternativa liberal para Portugal, ainda que seja um liberalismo mitigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bem de Portugal. Porque, como já é evidente para todos - embora ninguém tenha coragem de o assumir - nos carris do socialismo, o país acabará na penúria.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296350333385291?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296350333385291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296350333385291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/04/ser-o-cds-um-partido-de-direita-e-o.html' title='Será o CDS um partido de &quot;direita&quot;. E o PSD? (Abril de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296392652295069</id><published>2005-04-27T11:00:00.000+01:00</published><updated>2005-11-26T00:12:06.523Z</updated><title type='text'>As autárquicas ou a "balcanização" partidária? (Abril de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Isaltino Morais iniciou hoje a balcanização do PSD ao apresentar a sua candidatura independente à Câmara Municipal de Oeiras. As consequências desta iniciativa são ainda imprevisíveis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou ainda curioso por saber quem vai ser o candidato do PS a Matosinhos. Será que o PS vai ter a mesma coragem, afastando de vez Narciso Miranda? E este, caso seja afastado, resistirá à tentação de se candidatar como independente? E caso o PS apresente Narciso, será que Manuel Seabra não deverá ele, também, candidatar-se como independente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As autárquicas começam a mexer...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296392652295069?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296392652295069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296392652295069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/04/as-autrquicas-ou-balcanizao-partidria.html' title='As autárquicas ou a &quot;balcanização&quot; partidária? (Abril de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296426895832745</id><published>2005-04-20T23:00:00.000+01:00</published><updated>2005-11-26T00:17:48.960Z</updated><title type='text'>Após a tempestade, vem a bonança (Abril de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Os tempos não estão, de facto, fáceis. Ter ideias, nos dias de hoje, significa "ser dogmático". Aquilo que deveriam ser meras regras de convivência social, assumiram a dignidade de "valores": as noções de "tolerância", "pluralismo", "multiculturalismo", embora as considere essenciais para viver em sociedade, estas sim, assumiram uma dimensão dogmática, passando a ser valores em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ataques a Ratzinger - &lt;a href="http://ablasfemia.blogspot.com/2005/04/leituras-obrigatrias-weekly-standard.html"&gt;&lt;span style="COLOR: #3333ff"&gt;que podem ser lidos no artigo de &lt;em&gt;Jonathan Last&lt;/em&gt; linkado no meu post anterior&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; - são promovidos ao abrigo, precisamente, destes "novos/velhos" valores: Ratzinger "não serve", pois é um "conservador", não advogará o "pluralismo", pois é "contra as mulheres", e a sua origem germanófila irá acentuar o "eurocentrismo" da Igreja, pondo em risco o "diálogo" multicultural e ecuménico. Pluralismo e Tolerância sim, desde que o Papa seja Anacleto. As críticas que são feitas ao novo Papa, na linha deste "politicamente correcto" que manieta o pensamento das massas, são elas próprias a expressão da intolerância desta corrente de pensamento único que &lt;em&gt;embruteceu&lt;/em&gt; uma parte do mundo ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JP II foi, de facto, um Papa exemplar. Entre outras coisas, viajou, promoveu o ecumenismo e o multiculturalismo. Defendeu como poucos líderes mundiais a Paz no Mundo. Todo o seu Papado, e os frutos do seu esforço ao longo de 27 anos, são já património da Igreja e da Humanidade. O grande problema está em que a essência da Igreja não é apenas o Ecumenismo, nem a defesa da Paz, nem o Auxílio dos Pobres. &lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: #ff0000"&gt;Esta faceta&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; foi amplamente enfatizada pelos media e pelos &lt;em&gt;opinion makers&lt;/em&gt; acéfalos do politicamente correcto, pois &lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: #ff0000"&gt;é aquela que agrada à sapienzia ocidental pós-moderna, socialista:&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; a imagem de um Papa Laicizado, esta síntese da obra de JP II, é muito conveniente para apresentar às massas. O legado de JP II, contudo, &lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: #ff0000"&gt;não se esgota nem reduz nesta imagem construída&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, sobretudo, durante a sua agonia e após a sua morte, e que de tanto ser repetida, se arrisca a ficar para a História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que muitos afirmam, Ratzinger não representa um "retrocesso" face ao que foi o Papado anterior. É, apenas, a consagração daqueles que, ao longo de 27 anos, tão perto estiveram de JPII, e que irão prosseguir o caminho da Igreja com serenidade. A Igreja e o mundo seguem os seus caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como será Bento XVI. Esta dúvida não será distinta da que assolou vários espíritos após a escolha de JPII. Bento XVI não será certamente o Salvador, nem irá solucionar a fome em África, certas pandemias, nem inverter a moral sexual dominante. Também não irá salvar o Estado Social. Estas questões só os homens e mulheres poderão solucionar. A Igreja terá o seu papel, num filme com vários protagonistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, mais uma vez, o que me parece já óbvia, e que se conclui a partir de uma análise fria das incidências dos últimos dias, é a necessidade de persistir no combate contra a ditadura do "politicamente correcto", que exige pluralismo e tolerância, mas num quadro de pensamento que é o seu, e que nos atira a todos para o Vazio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296426895832745?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296426895832745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296426895832745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/04/aps-tempestade-vem-bonana-abril-de.html' title='Após a tempestade, vem a bonança (Abril de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296483915541107</id><published>2005-04-20T21:00:00.000+01:00</published><updated>2005-11-26T00:27:19.156Z</updated><title type='text'>Afinal, ainda não foi desta que tivemos direito a um Anacleto II (Abril de 2005)</title><content type='html'>&lt;div class="datetitle"&gt;&lt;span class="RAF"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 85%"&gt;(reformulado: afinal, já tinha havido - quem diria - um Papa Anacleto; mea culpa)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Pois é. Saiu fumo branco, e temos um novo Papa, Bento XVI. JP II sempre se apoiou neste alemão, que os cardeais escolheram ao fim de dois dias. Por razões que a própria razão desconhece, hoje o dia tem sido dedicado a destruir a imagem de um homem que, pela sua inteligência e experiência, merece, no mínimo, o benefício da dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desilusão que se assiste não é tanto dos católicos, mas dos não católicos que aspiravam a um Papa que tornasse a Igreja numa organização transversal, tipo Bloco de Esquerda, onde, basicamente, coubessem todas as tendências e as suas próprias negações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Igreja, como dizia o Gabriel Silva, num dos comentários abaixo, acompanha os tempos, razão pela qual tem já uma longa vida de dois mil anos. Eu sou, por definição, contra o imobilismo, e a Igreja tem muito que meditar. Um novo Papa é sempre uma oportunidade. E Bento XVI, pela sua formação, não deixará de produzir um pensamento rico e claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, não estavam à espera de um Anacleto II, pois não?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296483915541107?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296483915541107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296483915541107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/04/afinal-ainda-no-foi-desta-que-tivemos.html' title='Afinal, ainda não foi desta que tivemos direito a um Anacleto II (Abril de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296548766725956</id><published>2005-04-13T23:00:00.000+01:00</published><updated>2005-11-26T00:38:07.673Z</updated><title type='text'>Leitura obrigatória: "The Taxing of Nations", por Richard W. Rahn (Na "The National Interest", Spring 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;&lt;a href="http://www.cato.org/people/rahn.html"&gt;&lt;span style="COLOR: #3333ff"&gt;Richard W. Rahn&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, do &lt;a href="http://www.cato.org/"&gt;&lt;span style="COLOR: #3333ff"&gt;Cato Institute&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, escreve no último número da &lt;a href="http://www.nationalinterest.org/ME2/default.asp"&gt;&lt;span style="COLOR: #996633"&gt;The National Interest&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; um artigo que, pela sua lucidez e clareza, se torna de leitura obrigatória, em especial para os nossos governantes (não só portugueses, mas europeus). Infelizmente, ele só está disponível on-line para "subscribers".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rahn parte da evidência que os países do Welfare State Europeu, no plano económico, estão a perder a "corrida" com os EUA, com o Sudoeste Asiático e com os novos &lt;em&gt;players&lt;/em&gt; continentais, que optaram por modelos económicos mais liberais: "&lt;em&gt;Since 1982, the U.S. economy has been growing at a rate about 50% higher than Europe's. The French and Germans&lt;/em&gt; (...) &lt;em&gt;are now keenly aware that they have been getting pooer in relation to Americans since the time of Ronald Reagan. Parts of Europe, most notably Ireland and to a lesser extent Britain have pulled ahead of euro-zone countries like Germany, France and Italy&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A origem do problema é óbvia, e apenas resulta do facto dos políticos europeus, entre outros aspectos, não assumirem aquilo que começa a ser consensual entre os economistas: "&lt;em&gt;Economists have long known that taxing capital is economically destructive. Nobel Prize-winning economist Robert Lucas&lt;/em&gt; (...) &lt;em&gt;concluded in 2003 that reducing capital-income taxation from its current level to zero (using other taxes to support an unchanged rate of government spending) would result in an overall welfare gains of perhaps 2 to 4 percent of annual consumption in perpetuity&lt;/em&gt;". Esta terá sido a razão pela qual a generalidade dos Estados - à excepção de alguns Estados da Velha Europa - optaram, nos anos 80, por baixar os seus impostos sobre o capital. Foi o caso da Irlanda: "&lt;em&gt;Twenty years ago, the Irish were one of the poorest people in Europe. Now they have a per capita income that it is higher than all of the major European countries&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;The supply-side revolution that changed America, Britain and Ireland for the better barely breached the shores of the Continent&lt;/em&gt;". Mas porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande agonia começa longo na constatação de que os europeus "&lt;em&gt;have waited too long, however, to make the necessary changes without going through considerable pain. They cannot get out of the dilemma by raising taxes, &lt;span style="COLOR: #3333ff"&gt;because their current tax rates are already above the revenue maximizing point&lt;/span&gt;.&lt;/em&gt; (...) &lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: #3333ff"&gt;The Europeans governments are then left with no alternative but to begin reducing real benefits&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema aumenta quando se verifica que a opinião pública não está receptiva para acolher estas evidências, nem existe coragem política para a tomada das decisões: "&lt;em&gt;But the public is not yet willing to support politicians who tell them the unpleasant truth. As a result, reducing benefits is constantly postponed by the politicians&lt;/em&gt;". Veja-se, a este propósito, o que ocorreu com a famosa Directiva Bolkestein, ou para quem prefira o consumo doméstico, o posicionamento político do PS na campanha eleitoral, os recentes ensinamentos sobre Economia ministrados pelo sapiente Jorge Sampaio, ou o "realinhamento" social-democrata do PSD...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A globalização dos mercados de capitais abriu ao investidor europeu, racional, a oportunidade de canalizar as suas aplicações para zonas de tributação mais reduzidas, maximizando - em alguns casos até, salvaguardando - os seus retornos. Rahn considera que os europeus estão conscientes daquilo que é a desagregação do Estado-Providência, razão pela qual "&lt;em&gt;Europeans save much of their income. &lt;span style="COLOR: #3333ff"&gt;The problem is that Europeans have few profitable domestic investment alternatives available to them - given that tax rates on capital income often approach or even exceed 100 percent when an adjustment inflation is made&lt;/span&gt;.&lt;/em&gt; (...) &lt;em&gt;What do rational people do when faced with &lt;span style="COLOR: #3333ff"&gt;confiscatory tax rates&lt;/span&gt; on saving?&lt;/em&gt; (...) &lt;em&gt;move their savings out the country to places where investment income is better treated&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A isto chamam alguns Estados Europeus "fraude fiscal". Não deixa, contudo, de ser paradigmático, que países como a Holanda, Luxemburgo, Itália, Espanha, Portugal, entre outros, procurem, com toda a força, evitar que os seus residentes canalizem os seus investimentos para o exterior (exigindo, para isso, que com ele &lt;em&gt;partilhem&lt;/em&gt; os seus &lt;em&gt;ganhos&lt;/em&gt;) - chamando, à recusa de &lt;em&gt;sociedade&lt;/em&gt; (excelente expressão, caro Rui a.!) "fraude", em alguns casos criminalizando-a - mas "patrocinem", para os não residentes, toda uma panóplia de benefícios, &lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: #3333ff"&gt;canibalizando&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, de uma forma autofágica, a receita fiscal dos restantes países glutões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A UE, atenta a estes "movimentos", e de uma forma desesperada, lançou recentemente uma série de Directivas - a mais mediática conhecida por Directiva da Poupança - na crença que, por via legal, se consiga evitar aquilo que são as mais evidentes manifestações da racionalidade económica, e que conduzem ao normal funcionamento dos mercados. Será que alguém acredita que, a prazo, seja possível criar um &lt;em&gt;sistema de reporte e troca de informações&lt;/em&gt; - &lt;em&gt;eficaz&lt;/em&gt; - que impeça a livre circulação de capitais? Ou acreditam os responsáveis políticos que, desta forma, vão conseguir manter os seus mercados de capitais competitivos? Como diz Rahn, "&lt;em&gt;politicians ignore the inconvenient fact that if individuals and businesses cannot get acceptable returns on their savings and investment, they will choose not to save and invest, and consume all of their income instead&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medina Carreira, pôs o dedo na ferida: o país está num processo de &lt;em&gt;empobrecimento alegre&lt;/em&gt;. Optámos por sufragar eleitoralmente um Messias, José Sócrates, que prometeu mais emprego, mais crescimento económico, sem diminuição das "regalias" sociais. &lt;span style="COLOR: #3333ff"&gt;&lt;em&gt;No nosso íntimo, todos sabemos que isso não é possível&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;. &lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: #3333ff"&gt;Só que, cuidando do nosso umbigo, preferimos olhar para o lado, continuar a onerar o futuro&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos acreditar no que quisermos. Mas uma coisa é óbvia. Achar que a diminuição do défice será feito à custa da diminuição da "fraude" fiscal até pode ser defensável; agora, isso não é compatível com crescimento económico; a transferência de mais recursos para a esfera pública acarretará sempre mais desemprego/menos crescimento económico; se os governos pretendem aumentar o crescimento, têm de baixar os impostos e a receita fiscal; de contrário, haverá menos investimento privado, menos emprego, e mais fuga dos capitais para os centros de baixa tributação. E não vale a pena rezar pela mudança dos "ventos da conjuntura"; esses, como o petróleo a preços baixos, não voltam mais; a globalização é um &lt;em&gt;tsunami&lt;/em&gt; que destrói os mais crentes e incautos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos meter a cabeça debaixo da areia; ou, até, procurar conciliar o inconciliável. Podemos falar de cátedra com os países em crescimento, acusando-os de favorecerem a fraude, o &lt;em&gt;dumping&lt;/em&gt; social e outras tretas do género. &lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: #3333ff"&gt;Só que, enquanto uns ladram, o mundo continua a girar, e quem souber aplicar adequadamente as regras do jogo, ganhá-lo-á&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;. Ninguém os vai impedir de crescer. Um indiano não quer saber dos "salários mínimos" de um francês, nem um chinês, em Xangai - ao contrário daquilo que pensa Jorge Sampaio - quer saber do Vale do Ave. Quer é trabalhar, e aumentar o seu pecúlio. Isso é &lt;em&gt;dumping&lt;/em&gt;? Seja. Em muitas regiões do planeta, ele é bem-vindo, esse senhor Dumping. Mata a fome. Faz crescer a economia. Traz progresso onde antes não havia (quase) nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando é que nos vamos curar desta miopia? Quando tivermos desbaratado os nossos recursos? Quando estivermos endividados até ao pescoço? Até quando os nossos recursos vão servir para fazer crescer as economias dos outros? Para quando uma Manif com os slogans "Gordura Não! Dieta Sim"? Senhores governantes, abram os olhos, ganhem coragem, e façam o que tem mesmo de ser feito.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296548766725956?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296548766725956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296548766725956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/04/leitura-obrigatria-taxing-of-nations.html' title='Leitura obrigatória: &quot;The Taxing of Nations&quot;, por Richard W. Rahn (Na &quot;The National Interest&quot;, Spring 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296582064572325</id><published>2005-04-11T23:00:00.000+01:00</published><updated>2005-11-26T00:43:40.646Z</updated><title type='text'>De masoquismos pouco percebo. Mas importa distinguir liberalismo de certos conservadorismos (Abril de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Estive a ler com atenção os posts do Rui a. e do JM.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em boa verdade, o liberalismo compreende bem que o indivíduo não actua de forma distinta consoante esteja integrado na esfera pública ou privada. Em qualquer circunstância, o indivíduo actua sempre em função dos seus interesses pessoais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O liberalismo, contudo, não tem uma visão negativa do indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O liberalismo não se confunde, neste plano, com o conservadorismo, fortemente ligado ao "&lt;em&gt;pessimismo antropológico&lt;/em&gt;", tão bem descrito por Burke, e que marca, desde o séc. XVIII, a generalidade das direitas ocidentais. Esta descrença no indivíduo, seja uma espécie de "&lt;em&gt;realismo&lt;/em&gt; &lt;em&gt;sociológico&lt;/em&gt;", seja derivado da influência marcante do protestantismo, sobretudo nos países anglo-saxónicos, cujo pensamento foi altamente estigmatizado pela sobrevalorização do "pecado original", conduz, indubitavelmente, a uma visão pessimista da natureza humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O liberalismo, pelo contrário, não está marcado por este estigma, na medida em que confia de uma forma óbvia nas qualidades do indivíduo, como mola do progresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importa, assim, neste plano, não confundir liberalismo com certos conservadorismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O liberalismo, embora não seja pessimista, também não subscreve o "&lt;em&gt;optimismo antropológico&lt;/em&gt;" inspirado nas Luzes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o liberalismo olha com desconfiança para aquilo que é a consagração da "Vontade Geral" de Rosseau, para a alienação que representa a defesa de um "Interesse Público", que é distinto dos interesses privados, e que a estes se sobrepõe. A criação de entes orgânicos, do tipo estatal, com vontades próprias, que interpretam o sentir da sociedade, e que, movidos pela boa índole dos seus agentes, melhoram consideravelmente a sociedade, repugna a qualquer liberal, representando uma evolução para os "Socialismos" e para a "Escravidão".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que, finalmente, enquadrar o papel da lei, na perspectiva liberal, e a afirmação do que JM escreve: "&lt;em&gt;A teoria liberal defende finalmente que o que deve regular a sociedade não é a virtude de cada um dos seus membros mas o estabelecimento de regras abstractas e gerais que estimulem a virtude&lt;/em&gt;". Embora perceba onde JM quer chegar, importa retirar desta afirmação a expressão "&lt;em&gt;virtude&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O liberalismo não pretende estimular a "&lt;em&gt;virtude&lt;/em&gt;" por via legal - seja ela uma &lt;em&gt;virtu&lt;/em&gt; &lt;em&gt;aristotélica&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;maquiavélica&lt;/em&gt;; apenas pretende - sobretudo na configuração actual, neo-contratualista - que as leis - as quais resultam dos &lt;em&gt;consensos básicos&lt;/em&gt; gerados na comunidade - permitam ao indivíduo afirmar as suas capacidades, em articulação com os outros, como expressão de liberdade e realização pessoais. A lei mais não é do que um &lt;em&gt;pressuposto essencial&lt;/em&gt; para que se possa viver em comunidade, e que impede que se instale um ambiente &lt;em&gt;anárquico&lt;/em&gt; próximo do que Hobbes considerava ser o mundo &lt;em&gt;pré-moderno&lt;/em&gt;, impeditivo da afirmação individual que não pelo uso da força bruta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lei, que &lt;em&gt;estimula a virtude&lt;/em&gt;, é ela própria uma ameaça, pois há-de incorporar a previsão de um corportamento &lt;em&gt;virtuoso&lt;/em&gt;, ou a proibição dos comportamentos &lt;em&gt;não virtuosos&lt;/em&gt;, aos olhos de quem legisla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bandeira do liberalismo é a defesa intransigente da liberdade individual; deixemos a lei e a virtude para outras correntes de pensamento.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296582064572325?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296582064572325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296582064572325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/04/de-masoquismos-pouco-percebo-mas.html' title='De masoquismos pouco percebo. Mas importa distinguir liberalismo de certos conservadorismos (Abril de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296605778314778</id><published>2005-04-10T23:00:00.000+01:00</published><updated>2005-11-26T00:47:37.786Z</updated><title type='text'>O início de uma longa travessia (Abril de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Ainda de luto e influenciado pela morte de João Paulo II, e sobretudo ainda frágil pelo banho mediático (tenho medo de adormecer e, como ontem, acordar e pensar que estou na Praça de S. Pedro), tenho procurado seguir o Congresso do PSD; desculpem-me, assim, o tom algo bíblico do meu &lt;em&gt;post&lt;/em&gt;. O Pavlov explicava isso muito bem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, não tenho dúvidas que a direita em Portugal iniciou este fim-de-semana uma longa travessia no deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, porque os candidatos à Presidência do PSD consideram, ambos, que a forma de retomar a confiança dos portugueses está na recuperação da social-democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fazê-lo, o PSD pretende rivalizar com o PS o espaço político do "centrão", mas com as mesmas armas ideológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema está que nem Marques Mendes, nem Meneses, têm envergadura nem carisma para rivalizar com José Sócrates. E porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque Meneses é visto como um &lt;em&gt;outsider&lt;/em&gt; que procura afirmar-se no actual vazio político, um líder cognotado com o poder autárquico, com o futebol, com as tricas partidárias regionais; está longe da imagem do "Estadista". Ao nível das ideias, o seu discurso foi confrangedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marques Mendes não é, claramente, o Moisés de que o PSD precisa para a longa travessia "de regresso a Israel". Embora ele vá lutar em sentido inverso, é um Presidente a "recibos verdes", que os grandes "&lt;em&gt;players&lt;/em&gt;" do PSD acabaram por aceitar, face à força das circunstâncias: eleições e referendos à porta, quatro penosos anos de oposição, necessidade de reorganizar o partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Borges, ao contrário do que é convicção de alguns, deu este fim-de-semana um grande passo no sentido de vir a ser o homem que poderá trazer de novo o maná ao PSD. Durante três anos, Borges manifestou a sua disponibilidade para colaborar com o PSD e com o Governo. Só que o aparelho do PSD - que tão bem se serviu da sua disponibilidade, antes das eleições de 2002, pois o seu apoio credibilizava Durão Barroso - não estava disposto a estender a passadeira vermelha a este banqueiro, economista, gestor e professor de renome internacional, apontando-lhe como defeito o facto de "não conhecer a realidade do país"; ora, para os aparelhos, este é um pecado grave, não funcionando como indulgência o facto de ele conhecer, como poucos, as tendências do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Borges entretanto percebeu que, para chegar ao Céu, tinha antes de sofrer no Purgatório, expiando os seus pecados de "internacionalismo" e de algum "cosmopolitismo" de "beto da linha". Ao longo do último ano, uma vaga de fundo, bastante ampla, e com elementos de peso, tem construído uma sólida rede de cumplicidades e de compromissos que vão, sem margem de dúvidas, dar frutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos militantes desconfiam de Borges. Fogo fátuo que facilmente se dissipará, quando perceberem que este é o homem que os poderá levar de novo a bom porto. A sua presença, no Pombal, tem um significado político muito importante. Ganha notoriedade. Espaço político. Cria uma plataforma de apoio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos, certamente, na presença da pessoa que poderá, no futuro, dar um novo rumo ao PSD e ao país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Borges pode não se assumir como um liberal clássico; em entrevista recente, negou-o, afirmando até uma certa simpatia pelo "modelo europeu". Irá negar três vezes, certamente. Mas ele é, sem margem para dúvidas, a pessoa que melhor poderá criar uma alternativa que incorpore no seu programa uma forte componente liberal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até lá, teremos um PSD algo esquizofrénico, "politeísta", que festeja em Congresso Marques Mendes mas anseia por uma alternativa de outra envergadura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296605778314778?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296605778314778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296605778314778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/04/o-incio-de-uma-longa-travessia-abril.html' title='O início de uma longa travessia (Abril de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296648591180410</id><published>2005-04-07T00:54:00.000+01:00</published><updated>2005-11-26T00:54:45.916Z</updated><title type='text'>Quem infere, infere mal, ou desfazendo certos conceitos "implícitos"...</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;O João Miranda decidiu fazer um &lt;a href="http://ablasfemia.blogspot.com/2005/04/reposio-de-um-liberal-raf-sobre-noo-de.html"&gt;&lt;em&gt;post&lt;/em&gt; &lt;/a&gt;a partir de duas ou três ideias que diz estarem "&lt;em&gt;implícitas&lt;/em&gt;" no meu post. O &lt;em&gt;post&lt;/em&gt; em questão merece resposta, pois coloca na minha linha de pensamento ideias com as quais não me identifico. É o que dá escrever sobre as ideias "&lt;em&gt;implícitas&lt;/em&gt;" na escrita dos outros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde logo, o JM afirma que eu faço, e cito, "&lt;em&gt;apelos à &lt;/em&gt;«&lt;em&gt;evolução das sociedades e das culturas&lt;/em&gt;» &lt;em&gt;para justificar determinadas posições&lt;/em&gt;", e que esse meu apelo poderia, "&lt;em&gt;mais cedo ou mais tarde, fazer ricochete, porque esse argumento tanto serve para justificar a tradição como a mudança&lt;/em&gt;". Acrescenta que tal "&lt;em&gt;é um argumento que tanto serve para justificar a tradição do casamento como a evolução para uma coisa totalmente diferente na qual o Rodrigo não se reconheceria&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue-se um confuso parágrafo onde, em primeiro lugar, o JM afirma que, e cito, "&lt;em&gt;numa sociedade livre, as palavras e os conceitos são definidos de forma descentralizada e ninguém tem o direito de definir o que é o verdadeiro&lt;/em&gt; «&lt;em&gt;casamento&lt;/em&gt;»". Para depois atestar que um pretenso conceito de "&lt;em&gt;casamento&lt;/em&gt;" que eu defenderia estará a morrer. João Miranda - o &lt;em&gt;blogger&lt;/em&gt; que defende que ninguém tem o monopólio da definição conceptual, mas que assevera que só há uma posição liberal sobre esta matéria (deduzo que a sua) - termina, com um afirmação, não digo "polémica", mas no mínimo "controversa": "&lt;em&gt;A verdade é que o casamento deixou de ser uma instituição da sociedade civil e foi estatizado. Como todas as instituições estatizadas, o casamento vai morrendo porque deixou de ter que depender do sentido que as pessoas concretas lhe atribuem&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo o meu &lt;em&gt;post&lt;/em&gt; eu não quis justificar nada de nada. Apenas pretendi alertar para o facto de que casamento tem um "&lt;em&gt;mínimo denominador comum&lt;/em&gt;", sendo a sua forma e sentido, mais amplo, obviamente, conformado pela evolução das sociedades e das culturas (não acomodando, obviamente, relações afectivas com animais, passe o ridículo, mas que JM inscreveu no seu &lt;em&gt;post&lt;/em&gt;). Esta é uma constatação de facto, e não uma "&lt;em&gt;justificação&lt;/em&gt;". O JM acha que eu não posso defender que a noção de casamento é uma noção em evolução, porque isso poderia conduzir, cito, a "&lt;em&gt;uma coisa totalmente diferente na qual o Rodrigo não se reconheceria&lt;/em&gt;". De onde o JM infere tal coisa? Acha que pelo facto de eu ser católico não sou capaz de ver na sociedade que existem outras formas diferentes de união? Acha que vou reduzir a semântica do casamento ao casamento católico? Nada mais errado. O verdadeiro catolicismo, pregado por Cristo, é de adesão livre. Aceita que, &lt;em&gt;em sociedade&lt;/em&gt;, todos podem tomar as suas opções. Existem sociedades onde o casamento não tem a significação que lhe é dada pela religião católica. E depois? Deixam de ser essas uniões consideradas casamentos? Acha o JM que eu tenho receio que a aceitação de uma evolução conduza à consagração dos casamentos gays? É esse o tal "ricochete" que pode conduzir a algo com que eu não me reconheceria? O ponto está que o JM, pelo menos neste aspecto, não viu que a diferença entre um conservador e um liberal é que este último apenas pretende ver a sua esfera de afirmação protegida, vivendo e convivendo confortavelmente numa comunidade onde existam uma pluralidade de opções morais, e onde o casamento assuma formas multifacetadas. Esta é a minha posição, que se infere facilmente de uma leitura atenta do meu &lt;em&gt;post&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa coisa, porém, parece que estamos de acordo. Ambos desconfiamos da instituição "casamento civil"; ambos achamos que esta é apenas uma forma de obter benefícios do Estado, na nossa óptica, indevidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu, ao contrário do JM, não vejo que o "&lt;em&gt;casamento esteja a morrer&lt;/em&gt;", pelo facto de, enquanto "&lt;em&gt;instituição da sociedade civil&lt;/em&gt;", ter sido "&lt;em&gt;estatizado&lt;/em&gt;". A &lt;em&gt;estatização&lt;/em&gt; pode ter &lt;em&gt;descaracterizado&lt;/em&gt; uma certa faceta do casamento, mas este está bem longe de morrer. Cada um vê a realidade em função do que conhece; eu da minha parte, e à minha volta, conheço centenas de uniões, celebradas catolicamente, em união de facto, sob a alçada do casamento civil, que demonstram que ele está bem vivo, e para durar. O casamento pode ter sido &lt;em&gt;estatizado&lt;/em&gt;; mas até o casamento que diz &lt;em&gt;estatizado&lt;/em&gt;, tem subjacente uma união pessoal, em milhões de casos, forte, que obviamente não fica prejudicada nem desaparece pela existência de um vínculo civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, caro JM, não há maior inverdade do que aquela com que termina o seu &lt;em&gt;post&lt;/em&gt;, quando afirma que "&lt;em&gt;Como todas as instituições estatizadas, o casamento vai morrendo porque deixou de ter que depender do sentido que as pessoas concretas lhe atribuem&lt;/em&gt;". Eu casei religiosamente, tendo, por lei, sido forçado a casar, também, civilmente. O vínculo civil pode condicionar a minha declaração de IRS, uma linha no meu BI, eventualmente a disposição dos meus bens na hora da morte. Mas não descaracteriza o essencial do que é o casamento, nem o mata. O Estado não habita dentro do meu tecto. Fica à porta, com as trancas bem fechadas... mais: as uniões afectivas e pessoais estão muito para lá daquilo do Estado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296648591180410?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296648591180410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296648591180410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/04/quem-infere-infere-mal-ou-desfazendo.html' title='Quem infere, infere mal, ou desfazendo certos conceitos &quot;implícitos&quot;...'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296657324789650</id><published>2005-04-06T21:00:00.000+01:00</published><updated>2005-11-26T00:56:13.250Z</updated><title type='text'>Posição de um liberal (RAF) sobre a noção de casamento (Abril de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;O &lt;em&gt;post&lt;/em&gt; abaixo do meu amigo JM aponta numa linha impulsiva, algo arrivista e provocatória, sendo, nesse plano, bem conseguido &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 85%"&gt;(&lt;span style="COLOR: #ff6600"&gt;reformulado, com pedido de desculpas a JM&lt;/span&gt;).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Não posso contudo deixar de discordar com as imprecisões que encerra. A começar pelo título: onde se lê "&lt;em&gt;Posição liberal sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo&lt;/em&gt;" deveria ler-se "&lt;em&gt;Posição de um liberal sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo: sendo eu um liberal, não subscrevo o que JM escreve quando afirma não existir qualquer "&lt;em&gt;objecção liberal ao&lt;/em&gt; (...) &lt;em&gt;casamento entre seres de espécies diferentes&lt;/em&gt;": pese embora não me incomode que o meu amigo JM firme com o seu cão ou com o seu periquito um qualquer acordo de partilha afectiva, e perceba que a afirmação aqui tenha um sentido piedético, discordo que se chame a isso "casamento". É de mau gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;casamento&lt;/em&gt; é uma &lt;em&gt;convenção&lt;/em&gt; que radica, primariamente, no &lt;em&gt;direito natural&lt;/em&gt;, e que mais não é do que a decisão de duas ou mais pessoas viverem em conjunto, constituindo um corpo familiar e assumindo tudo o que ele acarreta, no plano afectivo e material.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A evolução das sociedades e das culturas fez com que esta noção fosse, ao longo dos tempos, e nas mais diversas comunidades, assumindo asserções diversas, ganhando corpos e significações distintas. Assim, em Portugal, como na generalidade dos países ocidentais, casamento é a convenção celebrada por duas pessoas; já em algumas culturas (v.g. muçulmanas), o homem pode casar com mais do que uma mulher, ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo que na sua génese é uma convenção natural, passou com o tempo a ser um &lt;em&gt;acto jurídico&lt;/em&gt; (já desde os primórdios o era também &lt;em&gt;religioso&lt;/em&gt;): os esposos assumem, na celebração de um "acto", um dado "estado": esse "estado" acarreta um conjunto de direitos e deveres: quer pessoais (entre os cônjuges) quer, eventualmente, perante a comunidade e uma qualquer divindade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, um liberal aceita sem dificuldade que a convenção natural - hoje chamada de "União de Facto" - desde que celebrada em liberdade, não deve ser impedida. O que exclui, desde logo, as ligações com os animais, que, obviamente, não são seres dotados de liberdade e, portanto, não são capazes de assumir voluntariamente aquilo que representa o corpo familiar. Mas nada impede, numa óptica liberal, que pessoas do mesmo sexo (colocadas por JM no mesmo nível que as uniões com animais) assumam por convenção natural a construção de um lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que, também, um liberal aceita sem dificuldade (corrigo: alguns liberais aceitam sem dificuldade; outros aceitam, mas com dificuldade) é a liberdade religiosa. Assim, e se alguém quiser casar segundo a sua religião, deve poder fazê-lo sem qualquer impedimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A "institucionalização" do casamento civil é que pode ser para um liberal um "&lt;em&gt;non sense&lt;/em&gt;", quando apenas tenha por objecto obter da parte do Estado o reconhecimento de um "estado" em relação ao qual estão consagrados "benefícios". Concordo com esta crítica, que subscrevo. A bizarria é tal que, recentemente, assistimos ao "alargamento" deste benefícios aos não casados que preencham, dentro da convenção natural ("União de Facto"), um conjunto de "requisitos" definidos por via legal. Mas nesse plano importa alertar para aquilo que é também a recorrente penalização das famílias. Veja-se, a título de exemplo, aquilo que é a chocante oneração fiscal da aquisição de habitação, onde a neutralidade exigida por JM - aqui, em sentido inverso - também não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo neste contexto de "institucionalização do casamento civil" o que se discute numa óptica liberal é mais a consagração de certos "direitos", e não propriamente a convenção em si. É que, culturalmente, o reconhecimento social da união pode ser importante, e poderá em muitas comunidades ser &lt;em&gt;razoável&lt;/em&gt; que este seja assumido pelos poderes públicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra "&lt;em&gt;casamento&lt;/em&gt;" pode ter diferentes cargas semânticas, em função do tempo, do espaço e da cultura; contudo, à noção de casamento não corresponde a &lt;em&gt;não-significação&lt;/em&gt; que JM lhe atribuiu, e que leva à sua descaracterização total e absoluta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296657324789650?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296657324789650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296657324789650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/04/posio-de-um-liberal-raf-sobre-noo-de.html' title='Posição de um liberal (RAF) sobre a noção de casamento (Abril de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296670946423582</id><published>2005-04-05T01:00:00.000+01:00</published><updated>2005-11-26T00:58:29.463Z</updated><title type='text'>Não há mulheres feias, mas cerveja a menos... (Abril de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Entende &lt;a href="http://causa-nossa.blogspot.com/2005/04/direita.html"&gt;&lt;span style="COLOR: #3366ff"&gt;VM&lt;/span&gt; &lt;/a&gt;que em Portugal a propriedade não corre "(...) &lt;em&gt;qualquer perigo desde há muito entre nós, e seguramente nenhum desde a Constituição de 1976 &lt;/em&gt;(...)". Até concordo, se esquecermos a lei do arrendamento, o IMI, o IMT, os vizinhos barulhentos, o imposto automóvel, a burocracia camarária que atrasa/impede a realização de obras em coisa própria... Não sei se há razões para ser de direita. O que tenho a certeza é que há razões para ser liberal. Entretanto, acho que preciso de um gurosan...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296670946423582?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296670946423582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296670946423582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/04/no-h-mulheres-feias-mas-cerveja-menos.html' title='Não há mulheres feias, mas cerveja a menos... (Abril de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296691933985814</id><published>2005-04-03T01:00:00.000+01:00</published><updated>2005-11-26T01:01:59.340Z</updated><title type='text'>O Papa que Amou toda a Humanidade (Abril de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Ontem morreu João Paulo II, Bispo de Roma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo assistiu em directo à sua lenta agonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JPII marcou a minha vida; nunca conheci nenhum outro Papa; os meus trinta e um anos impedem-me de ter memórias mais longas. Estou certo que marcou também a vida de muitos jovens e menos jovens, que procuraram estar atentos à sua mensagem. Como se não pode gostar de algúem que adora desporto, caminhar, viajar pelo mundo, estar perto dos homens, e que tanto lutou por melhorar, no terreno e com a sua acção, o rumo da humanidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em três locais acompanhei as suas peregrinações: Porto, Fátima e Santiago de Compostela. JPII saiu do Vaticano, marcou presença nos locais menos prováveis. JPII falava todas as línguas, queria ser o Papa nao só dos católicos, mas de todos os que amam as virtudes humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que não surpreenda que a sua morte seja rezada, não apenas pelo mundo católico; o mundo ateu (dos "homens de boa vontade", como tenho ouvido), atenua por esta data parte do seu défice espiritual, rendido à grandeza de JPII, enfatizando a sua importância política, que a teve, mostrando-o como um simbolo da Liberdade, que o foi. Realçam a sua veste de pastor ecuménico. O de combatente da exploração humana. Não vou eu explorar este legado, que está a ser exaustivamente apresentado por todos os meios de comunicação social, por comentadores de todos os quadrantes, e por políticos da esquerda, no activo, como Sampaio e Sócrates, ou no "passivo", como Mário Soares, mais habilitados do que eu nestas matérias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, JPII foi, é, e será, o Papa das coisas simples. O Papa que encarnou o Cristo Homem, e não o Cristo Deus. O Cristo que sofre, que ama o outro, que procura estar perto daqueles que sofrem, daqueles que dele mais precisam. JPII tinha um coração enorme, tendo procurado abraçar toda a Humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JP II tinha uma grande devocação à Virgem, símbolo maternal, onde buscava refúgio. A Maria, Espelho de justiça, Sede de sabedoria, Causa de nossa alegria, Rosa mística, Torre de marfim, Casa de ouro, Arca da aliança, Porta do céu, Estrela da manhã, Saúde dos enfermos, Refúgio dos pecadores, Consoladora dos aflitos, Rainha da Paz, hoje rezo, deixando aqui uma oração, que partilho com os que a mim se queiram juntar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ó Senhora minha, ó minha Mãe, eu me ofereço todo a vós; e, em prova de minha devoção para convosco, eu vos consagro neste dia os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser. E, porque assim sou vosso, ó incomparável mãe, guardai-me e defendei-me, como coisa e propriedade vossa.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296691933985814?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296691933985814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296691933985814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/04/o-papa-que-amou-toda-humanidade-abril.html' title='O Papa que Amou toda a Humanidade (Abril de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296734674208634</id><published>2005-04-01T23:07:00.000+01:00</published><updated>2005-11-26T01:09:06.746Z</updated><title type='text'>A garrafa era de água; ou no dia em que o Capuchinho Vermelho encontrou o Ministro da Economia; e afinal o Lobo era um Homem Culto (um Socialista)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Eduardo Prado Coelho (EPC) escreve, de facto, coisas enigmáticas. &lt;a href="http://jornal.publico.pt/noticias.asp?a=2005&amp;m=04&amp;amp;amp;d=01&amp;id=13614&amp;amp;sid=1496"&gt;Hoje&lt;/a&gt; no Público brinda-nos mais uma vez com pérolas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Talvez o socialismo seja hoje isto mesmo. Por outras palavras, colocar uma fotografia no meio de um processo de produtividade. Ou deixar que o que se perde se não perca e preencha as nossas vidas.&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pérolas, verdadeiras pérolas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a crónica de EPC não se fica por aqui:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Na rua, havia gente que deambulava, algumas pessoas vinham do Príncipe Real. Tínhamos algum receio dos que andavam nocturnamente junto às árvores e pareciam assumir dimensões ameaçadoras. De súbito, encontrei o ministro da Economia.&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E avança...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Como é que o vemos numa postura desportiva, descontraída como quem se passeia, com uma camisa e umas calças de quem saiu à rua, se deixou surpreender na primeira esquina?&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há mais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Não é costume um ministro da Economia gostar de fotografia, gostar de mostrar fotografia. Não é habitual ter tantos livros. Perguntei-lhe se preferia fotografia à economia. Como misturar coisas tão diferentes? A economia é da ordem do que se acumula: o útil, o instrumental, o capitalizável. A fotografia é outra coisa: o profundamente superficial, o sentido nómada, as coisas que se perdem e não fazem sentido. Que Manuel Pinho consiga jogar nos dois campos deixa-nos surpresos. Parece que Luís Campos e Cunha também colecciona. Ainda bem. Isso quer dizer que há valores que ainda não foram esquecidos.&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me causa náuseas nesta crónica de EPC não é a tentativa de descrever o Príncipe Real como se fossem os &lt;em&gt;Champs Elisees&lt;/em&gt;, nem o conteúdo vazio da sua escrita folclórica que procura provocar nos leitores &lt;em&gt;risinhos&lt;/em&gt; e "&lt;em&gt;medo dos homens maus&lt;/em&gt;", mas a forma como utiliza a sua tribuna para praticar o lambebotismo que o caracteriza: afinal, os homens do dinheiro do PS são cultos; Manuel de Pinho e Luis Campos e Cunha, não se preocupem, que o facto de se dedicarem ao &lt;em&gt;útil&lt;/em&gt;, ao &lt;em&gt;instrumental&lt;/em&gt; e ao &lt;em&gt;capitalizável&lt;/em&gt; não vos diminui, desde que se atrevam a convidar EPC e outros contadores de fábulas ao vosso humilde lar, e lhes mostrem onde investem os frutos desse vosso espirito prático. Com esse gesto simples, saem do limbo para entrarem na galeria dos cultos, reservada aos intelectuais socialistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas recomendo aos que queiram submeter-se ao "&lt;em&gt;teste do algodão&lt;/em&gt;" que fechem a porta dos quartos - não vá EPC escrever novamente estar o "&lt;em&gt;quarto de crianças imensamente brincado&lt;/em&gt;" - e que usem de uma certa parcimónia quando mostrem as obras de arte - para que não sejam acusados de as exibirem com "&lt;em&gt;manifesto orgulho&lt;/em&gt; (...) &lt;em&gt;e&lt;/em&gt; (...) &lt;em&gt;com a alegria de uma verdadeira criança&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já agora, vistam-se decentemente, para que EPC e seu amigos não vos confundam com o "&lt;em&gt;lobo mau&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296734674208634?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296734674208634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296734674208634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/04/garrafa-era-de-gua-ou-no-dia-em-que-o.html' title='A garrafa era de água; ou no dia em que o Capuchinho Vermelho encontrou o Ministro da Economia; e afinal o Lobo era um Homem Culto (um Socialista)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296099255682125</id><published>2005-03-24T16:25:00.000Z</published><updated>2005-11-25T23:23:12.566Z</updated><title type='text'>Catequizando barnabés: "Não invocar o Santo Nome de Deus em Vão" (Março de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Hoje, o barnabé Rui Tavares &lt;a href="http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/089004.html"&gt;insurge-se&lt;/a&gt; contra o Luís Delgado, por ele se manifestar contra a Eutanásia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta questão tem dividido bastante a sociedade civil em Portugal; ela é, sem dúvida, uma das questões éticas mais sensíveis destes tempos "pós-modernos" (perdoa-me, Luis Nazaré: afinal a expressão da mesmo jeito!), onde o relativismo &lt;em&gt;light&lt;/em&gt; (bem me parecia que esta expressão iria ser novamente útil), o culto da juventude e do corpo, o hedonismo e a vida sem sacrifícios nem dor dominam o nosso imaginário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 85%"&gt;Antes de avançar, não resisto a uma pequena provocação: quando PSL na campanha eleitoral se referiu a esta questão, assistimos a um coro de protestos, por não ser "pertinente" nem interessar à generalidade dos cidadãos eleitores (com o que, aliás, concordei); PSL estaria a "&lt;em&gt;desviar a atenção dos portugueses&lt;/em&gt;". Passados pouco mais de trinta dias, bastaram a ascensão ao poder do mais nórdico de todos os hispânicos, a cobertura da imprensa a propósito de um galardoado filme europeu e um complicado processo judicial na América para que a Eutanásia passasse para &lt;em&gt;pole position&lt;/em&gt; das preocupações da sociedade mediática portuguesa (não sei se dos portugueses). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 85%"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Não vi o filme "&lt;em&gt;Mar Adentro&lt;/em&gt;"; mas conheço bem a história deste pobre galego que morreu bem antes de estar morto, por ter perdido o amor à vida; o processo de Terri Schiavo é bem mais complicado, no limite do conflito ético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em qualquer caso, o cenário que nos tem sido apresentado é de arrepiar: a instrumentalização da dor humana, posta ao serviço da eutanásia como símbolo de modernidade e progresso, é assustadora; os rótulos de insensibilidade e "medievalismo" colocados aos que, simplesmente por respeitam a vida (além de a amarem), não vêem a eutanásia como solução, indignam-me:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estou solidário com a dor e o sofrimento daqueles a quem a vida foge mas a morte não abre as portas; agora, tal não significa que se possa aceitar como solução pôr a decisão sobre a vida e a morte nas mãos dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta não é, para mim, e no seu ponto de partida, uma questão religiosa (embora a abordagem da religião lhe dê outra dimensão); nasce, antes de mais, do respeito que tenho pelas leis da natureza e por uma hierarquia de valores partilhada por muitos homens e mulheres, de vários e nenhuns Credos. Eu acredito que há um Deus; mas a sua existência apenas me é revelada porque tenho Fé; admito que outros possam ter visão diferente. A Vida, essa, a todos nos é evidente; a sua existência não pode ser negada: podemos falar em dor, em prazer, em sofrimento, em direitos; mas tudo isto pressupõe uma existência. Naquilo que nos é dado a conhecer pela Natureza, negar a vida - como retirá-la - é conduzir o homem à sua inexistência. Por isso, não há dor, nem sofrimento, nem vontade, que justifique que alguém possa conduzir o seu próximo a este vazio, a esta inexistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rui Tavares termina a sua intervenção com um desabafo: "&lt;em&gt;Que mundo é este, meu Deus?&lt;/em&gt;". A utilização da expressão "&lt;em&gt;Meu Deus&lt;/em&gt;", este recurso à providência divina está de tal forma banalizado que serve como forma de desabafo protagonizado pelos mais improváveis desesperados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, Rui Tavares, deixe Deus fora destas questões dos homens.&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #ff6600"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Rodrigo Adão da Fonseca&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296099255682125?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296099255682125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296099255682125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/03/catequizando-barnabs-no-invocar-o.html' title='Catequizando barnabés: &quot;Não invocar o Santo Nome de Deus em Vão&quot; (Março de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296114710139451</id><published>2005-03-24T00:25:00.000Z</published><updated>2005-11-25T23:25:47.106Z</updated><title type='text'>A guerra dos Falcões: será que Fukuyama está a escrever o fim da sua história? (Março de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;No número de Outono de 2004 (Fall 2004) da &lt;a href="http://www.nationalinterest.org/ME2/default.asp"&gt;&lt;span style="COLOR: #ff6600"&gt;The National Interest&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, Francis Fukuyama, no expoente da crise do Iraque, e na iminência das eleições americanas, procura demarcar-se da Administração Bush; não renega à intervenção, explorando formas de justificar no plano da legitimidade a ausência de armas de destruição maciça, recorrendo, entre um conjunto de argumentos, ao que designou ser a "ex post legitimacy"; Fukuyama considera que o erro está, sobretudo, na corrente encabeçada por Charles Krauthammer, um dos mais antigos aliados de Fukuyama pertencente ao círculo mais restrito e antigo do neoconservadorismo: o artigo &lt;a href="http://www.findarticles.com/p/articles/mi_m2751/is_76/ai_n6127311"&gt;&lt;span style="COLOR: #ff6600"&gt;The Neoconservative Moment&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; marca o início de uma aberta discussão no ninho dos falcões neoconservadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No número seguinte (Winter 2004/2005), Francis Fukuyama avança (&lt;a href="http://www.nationalinterest.org/ME2/dirmod.asp?sid=92CC3CD2669245CFBCA1759C597E9A1E&amp;nm=Articles+and+Archives&amp;amp;type=Publishing&amp;mod=Publications%3A%3AArticle&amp;amp;amp;amp;amp;mid=1ABA92EFCD8348688A4EBEB3D69D33EF&amp;tier=4&amp;amp;id=DB8BB38B110A43E186187F4ADCCF51F9"&gt;&lt;span style="COLOR: #ff6600"&gt;Letters&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;):&lt;br /&gt;"(...) &lt;em&gt;Now that the partisanship of the election is past, it is important for American policymakers to sit down quietly and reflect a bit on the past four years. A lot of mistakes and poor judgment calls were made; some were by individuals and others were failures of institutions. Charles Krauthammer joins the Bush Administration in doggedly defending everything that has been said and done in U.S. foreign policy over the past three years. Let's hope this doesn't remain the pattern as we move into the first year of the new administration&lt;/em&gt;. (...)"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charles Krauthammer, no mais recente número (Spring 2005) responde a Fukuyama (&lt;a href="http://www.nationalinterest.org/ME2/dirmod.asp?sid=92CC3CD2669245CFBCA1759C597E9A1E&amp;nm=Articles+and+Archives&amp;amp;type=Publishing&amp;mod=Publications%3A%3AArticle&amp;amp;amp;amp;amp;mid=1ABA92EFCD8348688A4EBEB3D69D33EF&amp;tier=4&amp;amp;id=029D429AE2AB49218571883446683180"&gt;&lt;span style="COLOR: #ff6600"&gt;Letters&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;): "(...) &lt;em&gt;Fukuyama's charge against me is little more than an unsubtle way of positioning himself. He is saying: Unlike other neoconservatives who blindly defend Bush, here I am, the brave neoconservative dissenter, courageously speaking out against the Iraq War&lt;/em&gt; (...)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por entre considerações recíprocas de "judaísmo israelita na condução das relações internacionais" e "realismo", as divergências estão longe de terminar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que Bush consegue impor Wolfowitz na Presidência do Banco Mundial?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem acreditava que no segundo mandato de Bush a influência neo-conservadora iria diminuir, pode agora começar a rever as suas posições. O afastamento de Colin Powell claramente indiciava o que está a acontecer: os neoconservadores, na sua versão mais radical, estão de armas e bagagens instalados na Casa Branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A influência neoconservadora não tem sido suficientemente desmascarada pelas direitas europeias, que optam pelo apoio expresso ou envergonhado a correntes que não encontram qualquer acolhimento na nossa forma de pensar: &lt;em&gt;nem a visão internacionalista de Krauthammer&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;nem o pensamento ziguezagueante de Fukuyama&lt;/em&gt; (num misto de arrependimento justificado na crença da superioridade moral norte-americana e de crítica aos que, assolados pela realidade, e com tanta luz, já não a conseguem discernir) nos servem, e a leitura reiterada dos seus textos e a análise das suas ideias causam-me um arrepio na espinha...&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #ff0000"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Rodrigo Adão da Fonseca&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296114710139451?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296114710139451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296114710139451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/03/guerra-dos-falces-ser-que-fukuyama-est.html' title='A guerra dos Falcões: será que Fukuyama está a escrever o fim da sua história? (Março de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296145958660039</id><published>2005-03-16T22:00:00.000Z</published><updated>2005-11-25T23:30:59.586Z</updated><title type='text'>Sobre a constituição de um Partido Liberal (Março de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Muito se tem escrito aqui no Blasfémias e noutros blogues sobre esta questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da minha parte, concordo com o AAA (mais uma vez; para não variar), quando &lt;a href="http://oinsurgente.blogspot.com/2005/03/re-ser-o-liberalismo-um-estado-de.html"&gt;defende&lt;/a&gt; n'O Insurgente que não é oportuna a criação de um partido liberal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, mais do que criar um partido de raiz, urge difundir o ideário; o que importa é que as gerações que venham a assumir o poder (económico, político, judicial), no curto-médio prazo, adiram ao conjunto de princípios que constituem a essência do liberalismo e os transportem para a sua vida e actividades correntes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os partidos de poder estão sendimentados; a criação de um partido de matriz liberal no presente limitará os horizontes e o raio de acção dos Liberais: o partido ficará cristalizado à direita do PP: o PP, como aqui já referi, é um partido político do centro, por vezes com alguns devaneios esquerdistas, mas que, por ser no plano moral o único partido conservador em Portugal, portador de uma mensagem democrata-cristã, está fortemente enraizado junto do eleitorado mais tradicional, ocupando o espaço da direita. Esse espaço político - que o PND tentou disputar - tem uma dimensão limitada, com uma expressão eleitoral reduzida; daí que a criação de um partido liberal, na minha opinião, não tenha viabilidade; nem me parece que seja fácil criar um espaço político de raíz para o liberalismo com um expressão em termos eleitorais capaz de impor mudanças no sistema político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, o que interessa é trabalhar o liberalismo dentro dos partidos de poder. O Liberalismo é portador de uma mensagem que pode e deve ser difundida em grande escala, naquilo que é o espaço do centro e da direita (ocupado pelo PP, PSD, e uma parte significativa do eleitorado do PS); é errado dirigir a mensagem para um eleitorado restrito e específico.O partido mias adequado para ser o portador da mensagem liberal é o PSD: i) por se colocar junto do eleitorado numa posição equidistante entre a esquerda e a direita conservadora, podendo assim agregar apoios em ambos os quadrantes; ii) por ser o partido a quem o eleitorado sempre reconheceu uma maior capacidade para liderar a mudança, sendo o que até hoje melhor se reinventou e acompanhou os novos tempos.&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #ff6600"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Rodrigo Adão da Fonseca&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296145958660039?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296145958660039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296145958660039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/03/sobre-constituio-de-um-partido-liberal.html' title='Sobre a constituição de um Partido Liberal (Março de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296166444115481</id><published>2005-03-16T21:30:00.000Z</published><updated>2005-11-25T23:34:24.443Z</updated><title type='text'>Uma mão invisível que me ajuda: Raymond Aron (Março de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;João Carvalho Fernandes, hoje, 16 de Março, n'&lt;a href="http://www.maoinvisivel.com/blog/archives/2005/03/raymond_aron.php"&gt;A Mão Invisível&lt;/a&gt;: o &lt;em&gt;post&lt;/em&gt; merece, não só ser linkado, como citado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"RAYMOND ARON&lt;br /&gt;Se a tolerância nasce da dúvida, que se ensine a duvidar dos modelos e das utopias, a recusar os profetas da salvação, os anunciadores de catástrofes.&lt;br /&gt;Raymond Aron"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, apercebo-me que o mesmo João Carvalho Fernandes, já ontem, havia feito igual referência no &lt;a href="http://fumacas.weblog.com.pt/arquivo/085495.html"&gt;Fumaças&lt;/a&gt;, por ocasião dos 100 anos do nascimento deste autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por casualidade, citei hoje Aron a propósito da sua crítica a Marx, na sua obra &lt;em&gt;As etapas do pensamento sociológico;&lt;/em&gt; mas tenho de reconhecer que a passagem de Aron citada por J. Fernandes encaixa que nem uma luva como complemento ao meu &lt;em&gt;post&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será isto que Smith queria representar quando falava na Mão Invisível?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296166444115481?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296166444115481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296166444115481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/03/uma-mo-invisvel-que-me-ajuda-raymond.html' title='Uma mão invisível que me ajuda: Raymond Aron (Março de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296189662611116</id><published>2005-03-16T20:30:00.000Z</published><updated>2005-11-25T23:38:16.630Z</updated><title type='text'>A Coca-Cola é um dos símbolos da Liberdade. Por isso bebo sempre uma latinha antes de escrever um post... (Março de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Luis Nazaré, num esforço titânico de contenção, &lt;a href="http://causa-nossa.blogspot.com/2005/03/liberdade-e-os-referendos.html"&gt;afirma&lt;/a&gt;, em reacção ao meu &lt;em&gt;post&lt;/em&gt; de ontem, que "&lt;em&gt;já não tem paciência para receber lições de liberdade de quem (felizmente) nasceu na geração Coca-Cola&lt;/em&gt;", desabafo habitual de alguns que, por terem nascido no tempo em que o vinho dava de comer a um milhão de portugueses, consideram que a Liberdade e a sua definição são suas conquistas e património pessoais. LN pode ter vivido os tempos da ditadura; não sei se é um "&lt;em&gt;mártir&lt;/em&gt;" da Liberdade; a mim apenas me preocupa o que ele escreve hoje sobre a Liberdade. Tudo o resto aqui, e neste momento, não tem relevância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LN considerou a minha posta de ontem "&lt;em&gt;vibrante&lt;/em&gt;", afirmando que ela "&lt;em&gt;traduz fielmente&lt;/em&gt;" um "&lt;em&gt;sentimento urbano e pós-moderno sobre a questão participativa&lt;/em&gt;". Na verdade, a democracia participativa teve o seu expoente máximo na &lt;em&gt;polis&lt;/em&gt; grega, o que, &lt;em&gt;lateris&lt;/em&gt; (muito &lt;em&gt;lateris&lt;/em&gt;! e com alguma boa-vontade), poderá permitir apontar para o aspecto "&lt;em&gt;urbano&lt;/em&gt;" do meu comentário; quanto à pretensa &lt;em&gt;pós-modernidade&lt;/em&gt; da posta, tenho as minhas dúvidas; mas não vou explorar especialmente este aspecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LN diz ainda que não aceita "&lt;em&gt;lições de liberdade&lt;/em&gt;"; com franqueza, ninguém na jovem "&lt;em&gt;direita&lt;/em&gt; &lt;em&gt;espevitada&lt;/em&gt;" tem a pretensão de ensinar o que quer que seja a LN (a não ser relembrá-lo que a "&lt;em&gt;mocidade&lt;/em&gt;" já não existe nestes novos tempos); aproveita para se justificar na sua posição, procurando explorar algumas das dificuldades óbvias que existem na chamada democracia participativa onde se enquadra o referendo, aspectos que, contudo, na minha &lt;em&gt;imberbe&lt;/em&gt; opinião, não invalidam as suas virtudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A democracia evoluiu para um modelo representativo, pela óbvia impossibilidade de se adoptar um modelo &lt;em&gt;puro&lt;/em&gt; de democracia directa; em todo o caso, existem situações que, pela sua importância, devem ser objecto de escrutínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz LN que se pudéssemos experimentar e fazer prova real, "&lt;em&gt;os resultados seriam catastróficos para as causas do presente e do futuro&lt;/em&gt;". Em relação a alguns dos temas indicados por LN, não sei quais seriam os resultados: seriam os que todos, em conjunto, escolhêssemos; prefiro a catástrofe oriunda e partilhada por todos, que a desgraça promovida por alguns em prejuízo dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje assistimos a uma total descrença dos cidadãos em relação ao político; em parte, porque um conjunto de pessoas, como o LN, preferem assumir o leme da Nação, &lt;em&gt;tutelando-a&lt;/em&gt;, dizem, com receio da "&lt;em&gt;catástrofe&lt;/em&gt;" (pena que, neste caminho tortuoso, alguns acabem por perder-se, governando para si próprios); em parte, também, e como dizia Paulo Rangel, porque os cidadãos procuram desresponsabilizar-se em relação às decisões dos políticos, podendo, desta forma, penalizar liminarmente o universo do poder pelos insucessos, divorciando-se do projecto comum. Existe hoje uma &lt;em&gt;crise de responsabilidade&lt;/em&gt;, nas esferas política e dos cidadãos, que faz com que impere uma cultura de desperdício e corrupção, de evasão fiscal, de afastamento da coisa pública, de delapidação do património de todos, de oneração irresponsável das gerações futuras, de "subsidio dependência" e letargia geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso a receita liberal, defensora da responsabilidade individual e da democracia participativa, urge. É, assim, fundamental diminuir o peso do Estado, que substitui, à força, mais do que é necessário, os cidadãos nas decisões que deveriam ser suas; é indispensável transferir certos poderes para organizações mais próximas dos cidadãos, eliminando parte da mega-estrutura do poder centralizado, portadora de uma forte tendência para a alienação; importa ainda reforçar o instituto do referendo, que permite eliminar a mediação do processo político e a tomada de decisões directas em assuntos essenciais e que ultrapassam o quadro partidário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medo da "&lt;em&gt;catástrofe&lt;/em&gt;"? Quem tem medo compra um cão. Não sonega as liberdades, mesmo quando de uma forma paternal diz que não aceita lições. Sou urbano; nasci numa cidade, e sempre vivi em grandes metrópoles; nunca soube bem o que é ser "&lt;em&gt;pós-moderno&lt;/em&gt;" (parece-me que será um &lt;em&gt;mix&lt;/em&gt; de relativismo &lt;em&gt;light&lt;/em&gt; e lugares comuns; por isso duvido que o seja); e sou um expoente bem visível da geração Coca-Cola, no sentido mais literal que o termo pode assumir (devo ser o maior cliente nacional); mas antes isso, que fazer parte, como LN faz, de uma geração em que o vinho dava de comer a um milhão de portugueses e esquecer a essência da Liberdade: LN será certamente "anti-fascista" e "amante da Liberdade"; admito, contudo, que provavelmente na adolescência, embora bebesse vinho, fosse capaz de preferir a vodka; paradoxalmente, sendo da Esquerda que se considera um "bastião da Liberdade" e rejeita lições, desconfia dos processos democráticos. Recomendo-lhe que releia Raymond Aron (in "&lt;em&gt;As Etapas do pensamento sociológico&lt;/em&gt;"), um livro do seu tempo, onde poderá recordar as razões pelas quais é perigoso o poder político substituir-se na determinação das vontades alheias. E este perigo não se manifesta só no Estados Socialistas Puros: existe, com maior ou menor intensidade, sempre que o Estado se substitui ao cidadão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Sir Isaiah Berlim, concordo que para viver em sociedade todos temos de sacrificar parcialmente a nossa esfera de liberdades, este é o lugar-comum que nos conduz à democracia representativa; mas será assim tão necessário prescindir dos cidadãos nas decisões mais relevantes, negando-se a possibilidade de referendo?&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 85%; COLOR: #ff6600"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Rodrigo Adão da Fonseca&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296189662611116?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296189662611116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296189662611116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/03/coca-cola-um-dos-smbolos-da-liberdade.html' title='A Coca-Cola é um dos símbolos da Liberdade. Por isso bebo sempre uma latinha antes de escrever um post... (Março de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296206337514611</id><published>2005-03-14T22:30:00.000Z</published><updated>2005-11-25T23:41:03.376Z</updated><title type='text'>Que maçada esta, Luis Nazaré, termos de auscultar o Povo, ou o jornalismo como 4.º poder... (Março de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Os tempos mudam, e com as &lt;em&gt;alterações climáticas&lt;/em&gt; ocorridas no &lt;em&gt;ambiente&lt;/em&gt; político, morrem certos mitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos mitos que sempre nos venderam é que a esquerda "ama" a Liberdade, ao contrário da direita. A esquerda em Portugal é apresentada como o garante histórico da Liberdade, em exclusivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se uma pseudo-direita despreza a liberdade. Talvez. Mas esse desprezo é também partilhado por uma certa esquerda, basta olhar para a forma paternalista e complacente como políticos no activo toleram e até acarinham Cuba e a Coreia do Norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O liberalismo, neste contexto, não é de direita nem de esquerda, nunca hesitando na defesa intransigente da liberdade individual, incentivando todas as formas de aproximação do cidadão às decisões que sobre ele incidem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a esquerda ame a Liberdade. Não serei eu quem irá qualificar os amores alheios. Mas, aparentemente, e lendo o que &lt;a href="http://causa-nossa.blogspot.com/2005/03/notas-polticas_13.html"&gt;escreve&lt;/a&gt; Luís Nazaré sobre o Referendo, este é um amor "platónico": ama-se, mas não se pratica; ou pratica-se, digamos, o "essencial".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os referendos são, no nosso sistema constitucional, a forma menos desvirtuada de participação popular. Permitem que a população manifeste a sua vontade, sem necessidade de sintetizar, num só voto, as suas aspirações sobre milhares de matérias - que é o que ocorre nas eleições legislativas. Apresentam ainda a vantagem de se poder dispensar a mediação do aparelho político, incentivando o aparecimento de movimentos cívicos. Acresce que o Referendo é a forma de apuramento da vontade popular que &lt;em&gt;mais responsabiliza o eleitorado&lt;/em&gt; pela solução encontrada, mesmo aquele que opta por ir passar o domingo à praia, cuja omissão contribui, também, para um dado resultado. Por isso é útil recorrer-se ao Referendo quando as questões em discussão têm a densidade do Aborto, da Constituição Europeia ou da Regionalização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Luís Nazaré, contudo, (sic.)"(...) &lt;em&gt;os referendos nunca serviram para coisa alguma a não ser para exprimir os sentimentos conservadores e imobilistas do povo profundo&lt;/em&gt; (...)". &lt;span style="COLOR: #ff0000"&gt;Que desprezo pelo Povo&lt;/span&gt;, Luis Nazaré, que o obriga a ter de se conformar com estes tempos, "(...) &lt;em&gt;pretensamente abertos e participativos&lt;/em&gt; (...)", onde só lhe resta "(...) &lt;em&gt;aceitar o consenso reinante nas esferas partidárias quanto à necessidade de auscultar a população portuguesa&lt;/em&gt; (...)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que maçada esta, Luis Nazaré, termos de auscultar o Povo, em vez de o Educar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é bom ver a esquerda a reassumir sem pudor tentações antigas: a democracia apenas serve para tomar o Poder; lá chegados, o "Povo" passa a ser uma força "&lt;em&gt;imobilista&lt;/em&gt;" e "&lt;em&gt;conservadora&lt;/em&gt;", que importa educar, antecipando o que Ele quereria, se não estivesse agarrado a convicções retrógadas. O "Povo" passa a ser visto num sentido abstracto, figurado, deixando de ser constituído por pessoas concretas. A vontade do "Povo" deixa de ser a soma das vontades individuais, mas apenas a projecção de uma Vontade Geral, que não importa escrutinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será que eu estou enganado, e o &lt;em&gt;post&lt;/em&gt; em questão mais não é do que o desabafo de um jornalista que, em vez de mediar, decidiu assumir de vez que prefere o papel do 4.º poder?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296206337514611?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296206337514611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296206337514611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/03/que-maada-esta-luis-nazar-termos-de.html' title='Que maçada esta, Luis Nazaré, termos de auscultar o Povo, ou o jornalismo como 4.º poder... (Março de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296257676477944</id><published>2005-03-04T23:47:00.000Z</published><updated>2005-11-25T23:49:36.770Z</updated><title type='text'>O que é, para mim, ser católico hoje (Março de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Nos últimos dias, o país mediático e bloguítico anda entretido a comentar um anúncio publicado por um sacerdote franciscano com uma certa ânsia de protagonismo. Sem paróquia, o Padre optou por recorrer à plateia mediática para difundir as suas ideias. No fundo, este padre adoptou a estratégia anacleta de difusão da mensagem: por falta de púlpito, utilizou os media como megafone para a sua auto-promoção...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ateus militantes e sectores da esquerda intelectual aproveitaram a ocasião para - a par dos simpáticos comentários sobre a doença de João Paulo II - demonstrarem o seu afecto e amizade pelo fenómeno religioso e, em especial, pelos católicos. O Barnabé foi o que conseguiu ter o &lt;a href="http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/077164.html"&gt;humor&lt;/a&gt; mais requintado e carinhoso. Adorei a imagem do Papa a beber por uma palhinha e a andar de gatas sozinho. Ainda não consegui parar de rir! E que grande ternura e respeito pela doença e pela velhice aí se manifesta! O nosso amigo Nuno Sousa é, de facto, uma das maiores certezas do humor nacional, um talento escondido que agora se revela... Todos os velhinhos doentes da blogosfera devem ter amado esta imagem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser católico nos dias de hoje significa aceitar que a nossa condição, à luz dos outros, é a de uma certa menoridade intelectual, por não termos a capacidade de seguir os verdadeiros desígnios da Razão. Significa, ainda, acharmo-nos limitados na nossa suposta existência humana, por não sermos capazes de aspirar aos "prazeres" absolutos, amarrados que estamos aos "estigmas" da Religião; significa, ainda, termos de assistir, impávidos e serenos, à incapacidade de uma certa corrente ateia, que não separa o universo do sagrado e do profano, de respeitar a esfera católica. Implica, ainda, sujeitarmo-nos à censura alheia, sempre atenta às incoerências que a prática católica acarreta, por ser assumida por homens e mulheres, cuja natureza - como a de todos - é imperfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que me importo? Nada. Porque sou católico em plena liberdade de espírito. Porque sigo uma mensagem de esperança, de construção interior, procurando diariamente melhorar as minhas imperfeições. Porque esta é uma batalha minha, na qual faço o meu caminho. Cristo também foi insultado quando carregava a sua Cruz para ser crucificado. &lt;span style="COLOR: #333399"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Em silêncio&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos hoje tempos difíceis; nunca houve tanto, mas, ao mesmo tempo, nunca estivemos, como sociedade, tão infelizes e insatisfeitos. Afinal, o progresso material e o acesso irrestrito ao universo das coisas mundanas não trouxeram mais felicidade terrena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um certo mundo mediático e a esquerda do tipo barnabaico podem ironizar com a Fé católica. Podem, até, extrapolar os actos excêntricos de um pobre Padre. Podem, ainda, ridicularizar o Papa João Paulo II, a Irmã Lúcia, e todas as figuras da Igreja. Os meus companheiros de bancada, JM e CAA podem desabafar as suas incompreensões quanto a certos dogmas da religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todas estas manifestações, porém, ignoram aquilo que é a verdadeira essência do Cristianismo, razão de uma longa vida, apesar das vicissitudes históricas, de dois milénios: uma mensagem de Esperança, que se renova, pois assenta na permanente entreajuda entre os homens e mulheres, na sempre necessária promoção de virtudes humanas cristãs, no recato do conforto na dificuldade; porque não se esgota em palavras vãs, mas em actos diários, visíveis ou discretos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o mundo Racional idealizava modelo utópicos, sem que o seu ópio fosse suficiente para aliviar a dor, antes conduzindo à destruição e à morte de povos inteiros e de culturas centenárias, o Cristianismo, na sua menoridade intelectual e na incongruência dos seus dogmas, disseminou-se, a partir de esforços individuais e colectivos, na construção de um mundo melhor, movido pela bondade que existe no coração dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como todos, tenho os meus dias. Como todos, tenho as minhas falhas, algumas delas, enormes. Mais do que enfatizar modelos estereotipados de homens e mulheres dotados de características quase-divinas, o exemplo católico, hoje, deve ser o do cidadão comum, a quem os outros reconhecem um esforço de melhoria constante, de construção interior baseado nas virtudes cristãs, de dedicação aos outros, portadores de uma mensagem de Esperança. Cristãos no Mundo; não Cristãos do Outro Mundo. Cristãos que digam que, na dificuldade, são felizes em Cristo. Eu sou feliz. Sempre o fui, desde a minha infância. Sempre vivi em plena liberdade de espírito. Por isso sou liberal. Por isso sou católico. Esta é a minha mensagem. Este é o meu modo de ver as coisas. Aguardo calmamente pelas caricaturas...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296257676477944?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296257676477944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296257676477944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/03/o-que-para-mim-ser-catlico-hoje-maro.html' title='O que é, para mim, ser católico hoje (Março de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296312125483821</id><published>2005-02-23T23:59:00.000Z</published><updated>2005-11-25T23:58:41.260Z</updated><title type='text'>O grande derrotado destas eleições: Jorge Sampaio (Fevereiro de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Em Julho de 2004, e perante a ida de Durão Barroso para Bruxelas, Jorge Sampaio viu-se, pela primeira vez, confrontado com a necessidade de optar entre a designação de um novo primeiro-ministro e a dissolução da Assembleia da República, acompanhada da convocação de eleições gerais antecipadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Optou o PR por convidar PSL a formar governo. À data, Jorge Sampaio justificou a sua decisão enfatizando, e cita-se, "&lt;em&gt;a importância da estabilidade política enquanto factor de desenvolvimento nacional e de regular funcionamento das instituições democráticas&lt;/em&gt;". Para o PR, tal &lt;span style="COLOR: #ff0000"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;estabilidade política&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; significava, "&lt;em&gt;em primeiro lugar, que os cidadãos, quando são chamados a eleger os seus representantes na AR, têm, por essa via, a possibilidade de escolher, indirectamente, um Governo para os quatro anos seguintes; em segundo lugar, que, ao longo desses quatro anos, o Governo, com respeito das regras constitucionais, deve ter a possibilidade de realizar, livre e responsavelmente, o programa sufragado nas eleições; e, finalmente, que, no termo da legislatura, os eleitores julgarão a actividade do Governo&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais reafirmou o PR ser importante salvaguardar a continuidade de um conjunto de políticas consideradas essenciais: a Europa, a política externa, a defesa, a justiça, bem como as políticas de consolidação orçamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decisão presidencial não foi pacífica, tendo causado as reacções mais diversas, de apoio a repúdio, atingindo um grau de dramatização tal - cuja expressão mais visível foi corporizada pela Dr.ª Ana Gomes - que indiciava um ambiente político na segunda metade da governação bastante crispado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os primeiros meses do novo elenco governativo confirmaram esse receio, tendo sido dissecados de uma forma pouco comum pelas oposições, media e sociedade civil, não concedendo a PSL o "&lt;em&gt;período de graça&lt;/em&gt;" de que gozam habitualmente os que se estreiam no poder. A generalidade dos agentes que não se conformaram com a decisão presidencial iniciaram imediatamente um processo de corrosão politica, de efeitos surpreendentemente imediatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o desgaste acelerado da imagem do executivo contribuíram, também, alguns dos seus responsáveis, a começar pelo primeiro-ministro, que se deixou entrelaçar por uma teia crescente de inabilidades políticas - como a gestão da constituição do novo executivo onde, a par de excelentes elementos, foram integrados, em lugares-chave, pessoas próximas de PSL, com pouca experiência política; o adiamento do apoio do PSD a Cavaco, acompanhado de um afastamento de lugares relevantes na governação dos seus apoiantes - e &lt;em&gt;fait divers&lt;/em&gt; - apelidados pomposamente de "factos políticos" - de pouco interesse para os assuntos vitais do Estado, mas que dificultaram ainda mais a avaliação feita pelos portugueses da actual governação - como "os casos Marcelo", o afastamento de Manuela Ferreira Leite do Congresso, a famosa "sesta", as pretensas presenças em casamentos e eventos sociais, o caso "Mira Amaral", numa lista infindável que deixou estupefacto o mundo mediático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No plano da governação, porém, o executivo funcionava com normalidade, dando até a sensação que existiria uma dinâmica superior ao governo que o precedeu. Num curto período, o governo apresentou um conjunto de iniciativas que obedeciam ao programa delineado e que estaria a ser "tutelado" por Jorge Sampaio, em área sensíveis como a habitação (com a famosa "Lei das Rendas"), a justiça, os transportes e as finanças públicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, portanto, num contexto virtual de instabilidade política que o Presidente da República opta - um pouco surpreendentemente, até - por dissolver a Assembleia da República, após um período incompreensível de suspense - dado o hiato entre o anúncio da dissolução, antes de ouvido o Conselho de Estado, e sem transmitir previamente a sua intenção ao Presidente da Assembleia da República, e a comunicação ao país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Dezembro, JS tinha, por um lado, um Governo em exercício a funcionar com normalidade; por outro lado, porém, este Governo encontrava-se politicamente fragilizado, e cada vez mais isolado. O processo de degradação havia subido de tom sobretudo após a escolha de JS para liderar o Partido Socialista, o que permitiu ao Presidente da República passar a dispor de uma verdadeira alternativa que Ferro Rodrigues, em Julho, não representava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JS será sempre um derrotado; a sua decisão marca de uma forma irreversível o seu mandato. Não caio na tentação de considerar que JS fez um "&lt;em&gt;frete&lt;/em&gt;" ao PS; mas não posso, racionalmente, e em consciência, deixar de alertar para a carga negativa que a sua decisão acarretou, e que não fica sanada com o presente resultado eleitoral, pela seguinte ordem de razões:&lt;br /&gt;a) Porque ela é incoerente, face à decisão tomada em Julho de 2004; na verdade, todos os argumentos utilizados por Jorge Sampaio nessa data mantinham-se intactos em Dezembro;&lt;br /&gt;b) Porque ela revela uma valoração superior do património mediático face a um juízo efectivo da governação por parte do PR, criando um precedente na nossa prática constitucional gerador de instabilidade; no futuro, corremos o risco dos governos se preocuparem mais em governar para o reforço do seu património mediático, do que para cumprirem os seus programas eleitorais;&lt;br /&gt;c) Na verdade, ela representa um precedente grave, introduzindo um elemento de instabilidade no nosso sistema político, sendo, a partir de hoje, incerta a governação, mesmo com apoio parlamentar; até à data, para governar, bastava ter maioria no Parlamento; agora, adicionalmente, é necessário obter o "beneplácito" presidencial; significa, também, que os governos passarão a sentir que não é essencial governar num horizonte de quatro anos, pois podem ser julgados liminarmente no período intermédio;&lt;br /&gt;d) Porque reforça desnecessariamente a vertente "presidencialista" do nosso sistema de governo, apelando a que, nas próximas eleições presidenciais, o valor da estabilidade seja corporizado de uma forma ainda mais vincada pela máxima, para mim indesejável, "Um Governo, Uma Maioria, Um Presidente".&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296312125483821?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296312125483821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296312125483821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/02/o-grande-derrotado-destas-eleies-jorge.html' title='O grande derrotado destas eleições: Jorge Sampaio (Fevereiro de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113296460819313700</id><published>2005-02-20T22:00:00.000Z</published><updated>2005-11-26T00:23:28.193Z</updated><title type='text'>Leituras obrigatórias: The Weekly Standard (Abril de 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;&lt;a href="http://www.weeklystandard.com/Content/Public/Articles/000/000/005/507fhotp.asp"&gt;&lt;span style="COLOR: #660000"&gt;The Hard Line of Ratzinger: That didn't take long... The editorialists weigh in!&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, por &lt;em&gt;Jonathan Last&lt;/em&gt;, e &lt;a href="http://www.weeklystandard.com/Content/Public/Articles/000/000/005/508uvgaz.asp"&gt;&lt;span style="COLOR: #660000"&gt;Servus Servorum Dei: The self-effacing modesty of Pope Benedict XVI&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, por &lt;em&gt;Christopher Levenick&lt;/em&gt;, ambos no &lt;a href="http://www.weeklystandard.com/"&gt;&lt;span style="COLOR: #3333ff"&gt;The Weekly Standard.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas abordagens curiosas, que merecem ser lidas. Num ambiente sereno.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113296460819313700?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296460819313700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113296460819313700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/02/leituras-obrigatrias-weekly-standard.html' title='Leituras obrigatórias: The Weekly Standard (Abril de 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113293246563104093</id><published>2005-02-18T09:00:00.000Z</published><updated>2005-11-25T15:27:45.633Z</updated><title type='text'>Dia de reflexão (Fev. 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Longe da pressão mediática, amanhã será dia de reflexão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Dezembro, Jorge Sampaio tomou a decisão de dissolver a Assembleia da República, valorizando mais o património mediático em perda de um executivo objecto de uma forte corrosão por parte dos "agentes políticos" externos do que a sua legitimidade para governar que resultava da vontade dos portugueses e da forma natural como a actividade política relevante se desenrolava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo, teremos de optar entre penalizar um governo que nem sequer teve a possibilidade de cumprir o seu mandato, ou, pelo contrário, manifestarmos às altas instâncias do poder político e mediático que não nos deixamos manipular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estou descontente com o estado do país; mas sobretudo, com a classe política; a começar no Presidente da República, que tomou uma decisão sem precedentes e de consequências ainda não totalmente definidas, mas negativas, tornando o seu cargo num foco de instabilidade, e não num garante da unidade do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do mesmo modo, no Sábado vou, em serenidade, decidir o sentido do meu voto. E pensar quem tem sabido, ao longo dos anos, dar rumo ao país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem fait divers. Sem "factos políticos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensem que, quando votam, estão a alienar parte do vosso futuro. Com quem querem partilhá-lo?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113293246563104093?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113293246563104093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113293246563104093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/02/dia-de-reflexo-fev-2005.html' title='Dia de reflexão (Fev. 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113293205120218331</id><published>2005-02-16T09:00:00.000Z</published><updated>2005-11-25T15:20:51.206Z</updated><title type='text'>Estamos lixados (Fev. 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;[Simulação de entrevista a partir das respostas dadas por JS durante a campanha eleitoral]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O senhor pretende crescer à taxa de 3%...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: #cc0000"&gt;Eu quero um bom governo; e um bom governo pode, verdadeiramente, recuperar a confiança dos portugueses.&lt;br /&gt;Porque, sem confiança, não há crescimento económico. E sem crescimento económico, não há emprego. E a nossa prioridade é o emprego. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: #cc0000"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: #000000"&gt;O PS promete criar 150.000 empregos, mas como?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;Não é um compromisso, é um objectivo; Como? Introduzindo tecnologia nas empresas!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas porque 150.000?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="COLOR: #cc0000"&gt;Acha que depois de termos perdido 150.000 empregos o PS iria fixar um objectivo menos ambicioso do que recuperar esse número?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas como?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="COLOR: #cc0000"&gt;Obviamente, com um bom governo, que incentive as empresas, coloque os jovens no mercado de trabalho, com estágios profissionalizantes, que saiba promover os cursos técnicos, aliás, vamos duplicar o número de vagas nestes cursos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O PS criticou a baixas do IRS e o fim de certos benefícios fiscais, porque entende que isso põe em causa os serviços públicos. Como pretende crescer a 3%, sem diminuir os impostos, aumentando a poupança, e sem diminuir o papel da prestação do Estado, que é o sector de menor produtividade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: #cc0000"&gt;É verdadeiramente essencial manter o peso do Estado na prestação de serviços públicos, e os portugueses sabem do que é que eu estou a falar. Como espero crescer 3%? Penso que já falei nisso, mas não me importo de repetir: Com um bom governo, recuperando a confiança dos portugueses, e com a introdução da tecnologia...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 180%"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="COLOR: #99ff99"&gt;W&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: #ff6666"&gt;e'&lt;/span&gt;r&lt;span style="COLOR: #ffff33"&gt;e&lt;/span&gt; &lt;span style="COLOR: #ff9966"&gt;&lt;span style="COLOR: #993399"&gt;f&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: #3333ff"&gt;u&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: #33cc00"&gt;c&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: #666666"&gt;k&lt;/span&gt;e&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: #000066"&gt;d&lt;/span&gt;...&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 100%"&gt;(com todas as cores)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113293205120218331?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113293205120218331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113293205120218331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/02/estamos-lixados-fev-2005.html' title='Estamos lixados (Fev. 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113293178710376065</id><published>2005-02-15T10:00:00.000Z</published><updated>2005-11-25T15:16:27.103Z</updated><title type='text'>Exemplos de tolerância (Fev. 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Agradeço os exemplos de tolerância que me foram remetidos pelo &lt;a href="http://www.ateismo.net/diario/arquivo/2005_02_01_index.php#110848498286179239"&gt;Diário Ateísta&lt;/a&gt; e pelo &lt;a href="http://no-mundo.weblog.com.pt/arquivo/073633.html"&gt;No Mundo&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom viver numa sociedade plural.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113293178710376065?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113293178710376065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113293178710376065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/02/exemplos-de-tolerncia-fev-2005.html' title='Exemplos de tolerância (Fev. 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113293152975855254</id><published>2005-02-15T09:00:00.000Z</published><updated>2005-11-25T15:12:09.760Z</updated><title type='text'>Sobre tolerância (Fev. 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Ontem escrevi um post designado &lt;a href="http://ablasfemia.blogspot.com/2005/02/liberdade-pluralismo-e-silncio.html"&gt;Liberdade, Pluralismo e Silêncio&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia principal que queria transmitir era que numa sociedade verdadeiramente pluralista, existem momentos em que se exige tolerância, entendida como a capacidade de aceitar o outro na diferença, respeitando o seu sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para muitos portugueses, Fátima representa - bem ou mal - uma mensagem de esperança, um porto de abrigo nos momentos difíceis. A morte da irmã Lúcia é um momento de tristeza para a Igreja e de sofrimento particular para os devotos da Virgem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz o elementar bom-senso que este deveria ser um momento de silêncio. Passaria pela cabeça de alguém ir para a porta de um funeral acusar o morto de ladroagem, mesmo sendo isso uma enorme verdade? Então como se pode discutir, neste momento particular, e em nome de um pretenso Pluralismo, a essência de Fátima, se ela é "salazarenta", ou se a sua mensagem é "xiita"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essência de Fátima, da religião, do que queiram, pode e deve ser discutida, mas no momento próprio, que não será este.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranhamente, surgiram grandes críticas de vários quadrantes, aqui e noutros blogues, como o &lt;a href="http://bde.weblog.com.pt/arquivo/073771.html#comments"&gt;BdE&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que Fidel Castro, Mário Soares, Álvaro Cunhal e seus semelhantes falecerem, o que pouco faltará, dado que todos eles têm idade avançada, não irei aproveitar a imediata ocasião para criticar o seus percursos, arremesando aos outros um pretenso Pluralismo e a minha suposta Liberdade de Expressão. Não irei defender o direito à palavra solta, com argumentos de que "o meu silêncio é cúmplice". Não lhes prestarei homenagem. Mas deixarei em paz quem o queira fazer.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113293152975855254?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113293152975855254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113293152975855254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/02/sobre-tolerncia-fev-2005.html' title='Sobre tolerância (Fev. 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113293116636833937</id><published>2005-02-14T09:00:00.000Z</published><updated>2005-11-25T15:06:06.376Z</updated><title type='text'>Liberdade, Pluralismo e Silêncio (Fev. 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Morreu ontem a irmã Lúcia, uma freira carmelita de 97 anos que, na sua infância, terá sido visitada pela Virgem Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As Aparições de Fátima, não constituindo um dos pilares fundamentais da doutrina da Igreja Católica - não configuram aquilo que se designa como "Dogma de Fé" - deram origem a um Culto Mariano praticado em todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Virgem de Fátima é, hoje, para muitos milhões de crentes, porto de abrigo e conforto num mundo cada vez mais áspero e agreste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou devoto de Fátima; mas respeito a sua mensagem e aqueles que a seguem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do dia, fui ouvindo e lendo os comentários mais indescritíveis sobre um momento que se quer de recolhimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns políticos - por sentimento próprio ou para agradar ao seu eleitorado - optaram por suspender a sua campanha; outros - por sentimento próprio ou para agradar ao seu eleitorado - optaram apenas por suspender os actos mais festivos; finalmente, outros - por sentimento próprio ou para agradar ao seu eleitorado - preferiram manter a campanha tal como inicialmente ela teria sido agendada. Cada lider partidário tomou a decisão que considerou mais adequada para sí e/ou para o seu partido. Qual terá sido a mais correcta? A resposta é só uma: todas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal diz-se uma sociedade "tolerante" e de "brandos costumes". Tolerância, para mim, significa respeitar os comportamentos alheios distintos dos meus, que não me prejudiquem; significa guardar respeito pelas ideias, crenças e convicções que são distintas das minhas, e que não interferem com os meus interesses legítimos, não discordando, em momentos que se querem de recolhimento. Pluralismo não significa apenas cada um dizer o que lhe apetece quando lhe apetece. Significa não falar, quando se deve estar calado. Esta dimensão é a que torna o Pluralismo efectivo. E é a prova da maturidade de uma sociedade civilizada, que, aparentemente, ainda não atingimos. Pacheco Pereira e Vital Moreira, hoje, deram (mais) um (mau) exemplo de intolerância, porque não souberam estar calados. Maus exemplos nos deram também D. Januário Torgal Ferreira, bispo que me deu a Comunhão (o que explicará, eventualmente, porque sou hoje - como ele - tão interessado pelo "&lt;em&gt;bitaite politiqueiro&lt;/em&gt;") e o Bispo de Setúbal, ao colocar a Igreja no centro de uma polémica num momento em que se exigiria recolhimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, a ânsia da palavra acessa também fere de morte alguns bons liberais, como CAA, que em certas matérias não percebeu que existem momentos em que ser liberal significa estar calado. Mas até o compreendo, pois o seu anti-clericalismo é mais forte que o seu liberalismo, o que o leva ao incómodo de se ver tão bem representado pelo Rui Tavares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem morreu a Irmã Lúcia, freira Carmelita que dedicou a sua vida a rezar pelo mundo e a amar toda a humanidade. É normal que a sua grandeza faça com que certos homens procurem diminuir o seu exemplo, pois a sua bondade representa um forte indício da existência de Deus.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113293116636833937?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113293116636833937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113293116636833937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/02/liberdade-pluralismo-e-silncio-fev.html' title='Liberdade, Pluralismo e Silêncio (Fev. 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113292998236228136</id><published>2005-02-07T09:00:00.000Z</published><updated>2005-11-25T14:46:22.366Z</updated><title type='text'>A teorização franco-californiana do "Dá cá mais cem ou vou assaltar velhinhas" (Fev. 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;No Jornal "Público" de hoje, é entrevistado um sociólogo francês, Loïc Wacquant, apresentado como "&lt;em&gt;um dos maiores especialistas mundiais em prisões&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://jornal.publico.pt/2005/02/07/Sociedade/S15.html"&gt;http://jornal.publico.pt/2005/02/07/Sociedade/S15.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre outros aspectos, LW defende que "&lt;em&gt;não há relação entre o nível de encarceramento e o nível de crime&lt;/em&gt;", e que "&lt;em&gt;a história penal mostra também que a prisão não cumpre a sua missão de recuperação e reintegração social&lt;/em&gt;"; antes "&lt;em&gt;destrói as pessoas, isola-as, empurra-as para uma espiral de desvalorização&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Critica ainda "&lt;em&gt;o discurso político que avança na Europa&lt;/em&gt;", que defende a ideia de que "&lt;em&gt;penalizar&lt;/em&gt; &lt;em&gt;um problema é bom e funciona&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E coloca Portugal perante uma encruzilhada: "&lt;em&gt;Que tipo de Estado Portugal quer construir&lt;/em&gt;? &lt;em&gt;Um Estado Social que providencia os meios de vida e de apoio (saúde, educação, habitação) para todos&lt;/em&gt;? &lt;em&gt;Ou um Estado que abandona a sua missão social e se transforma num Estado policial, que limpa as ruas e mantém a ordem nos bairros pobres&lt;/em&gt;?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para concluir ser mais cara a opção penal do que, cito, "&lt;em&gt;desenvolver emprego&lt;/em&gt;". Utilizando o exemplo que estudou na Califórnia, onde constatou que cada preso custa ao Estado 28 mil dólares/ano (quando o salário mínimo é de 13 mil dólares/ano), defende ser mais barata a opção pela empregabilidade em relação aos presos por ofensas menores: "&lt;em&gt;Pagamos-te desde que não cometas crimes&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou ser eu quem vai aqui contrariar as conclusões que LW diz ter atingido em resultado do seu estudo, embora de raíz critique a tentativa de justificação do que é justo com base em critérios utilitaristas, típica do pensamento ralwsiano. Faço ainda notar que concordo que não faz sentido a Europa adaptar liminarmente modelos penitenciários desenvolvidos nos EUA, onde a repressão do crime, em alguns casos, conduz à privação da vida ou até à prisão perpétua. E que todo o indivíduo merece uma segunda oportunidade, cumprida a sua pena e ressarcida a comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, caro LW, qualquer sistema penal conjuga as características da &lt;em&gt;repressão&lt;/em&gt; e da &lt;em&gt;reabilitação&lt;/em&gt;. E o aspecto repressivo tem de ser suficientemente dissuador, para que tenha algum cariz preventivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais: LW apresenta um sistema penal que pressupõe a existência de um Estado Social em pleno funcionamento; um Estado Social, que pretende atenuar a conflitualidade garantindo a todos &lt;em&gt;"meios de vida&lt;/em&gt;"; um Estado Social que não prende, ou prende pouco; antes paga aos cidadãos um salário, em troca da sua boa conduta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia da "&lt;em&gt;safety net"&lt;/em&gt; como forma de diminuir as tensões sociais não é nova: agora, insinuar o pagamento de um salário a uma certa categoria de criminosos é que nunca tinha lido. Tal representa a negação total da responsabilidade individual e a assumpção de que existem grupos sociais desfavorecidos que são inimputáveis; tal implica que a sociedade assuma um modelo Social - oneroso - onde todos temos de suportar a factura de um conjunto de pessoas que compramos com um salário, para que não pratiquem crimes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já todos sabíamos que, infelizmente, num Estado Social ser honesto, empreendedor, bom cidadão, tem um preço, para lá do que resulta da quantificação do esforço individual: o preço da factura social; o que ficamos hoje a saber é que para LW o preço deve ser calculado, não apenas a partir da contabilização dos instintos "&lt;em&gt;solidários&lt;/em&gt;" dos governantes, mas também quantificando o custo associado a um processo claro de chantagem social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os disparates pagassem impostos - e estes fossem progressivos - LW estaria necessariamente no escalão máximo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113292998236228136?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113292998236228136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113292998236228136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/02/teorizao-franco-californiana-do-d-c.html' title='A teorização franco-californiana do &quot;Dá cá mais cem ou vou assaltar velhinhas&quot; (Fev. 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113292974923911436</id><published>2005-02-06T09:00:00.000Z</published><updated>2005-11-25T14:42:29.240Z</updated><title type='text'>Mudança: para quê e para onde? (Fev. 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Hoje começou a campanha eleitoral. Uma campanha que nos conduzirá a uma eleição que visa escolher quem nos vai governar nos próximos anos. Quem vai assumir a responsabilidade de alinhar o país por metas que nos conduzam ao Futuro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um lado, temos o PSD. Partido que governou nos dois últimos anos, com dificuldades, e por vezes, com alguma inabilidade à mistura; mas que nunca esqueceu que o país necessita de reformas profundas. E que, dentro de certas limitações, as promoveu; outras, ficaram por lançar, na sequência de uma decisão do P.R., pioneira, que entendeu ser necessário reiniciar um ciclo político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado, temos o PS. Com um líder jovem, ambicioso, o Partido Socialista de sempre procura fazer passar a mensagem aérea de que é o único capaz de agarrar o futuro, arremessando aos portugueses chavões tecnológicos e as frases vazias, mas dinâmicas. Lendo o programa de governo e as pessoas que rodeiam JS, não é difícil concluir que o PS de hoje é, sobretudo, o mesmo PS que, de 1995 a 2001, conduziu o país ao que António Guterres definiu como "pântano" político. Ora, o PS não teve tempo de se renovar pela precipitação presidencial, refugiando-se no Guterrismo; mudou de rótulo; o conteúdo é o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O eleitorado tem tido esta percepção: por um lado, tem reservas em votar em Pedro Santana Lopes, embora reconheça fortes méritos ao PSD e aos seus governantes; a generalidade do país tem consciência que o PSD é, historicamente, a força política mais apta para promover reformas; por outro, simpatiza com José Sócrates, de modos suaves, rodeado de uma áurea de modernidade; mas desconfia dos que o acompanham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste cenário, surgem nos extremos lideranças fortes: PP e FL consolidam e ganham até espaço político: no dia 20 de Fevereiro, veremos se ele se concretiza - ou não - em votos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O país tem de ter consciência que o que se está a discutir, nestas eleições, é a continuidade de uma linha governativa que - retirando os &lt;em&gt;fait divers&lt;/em&gt; próprios de uma personalidade excêntrica como a de PSL, bem explorada por uma certa esquerda bem implantada nos &lt;em&gt;media&lt;/em&gt; - tem sabido, paulatinamente, e de uma forma razoável, promover reformas - ou uma viragem ao centro-esquerda (sem BE) ou mesmo à esquerda (com BE) - que, a reformar - o que me levanta dúvidas - apontará o país para um modelo socialista - no sentido de uma persistência do papel do Estado - que está esgotado, e que nos atrasará ainda mais na conquista do futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passar esta mensagem não é fácil, pois o PSD, também por culpa própria, deixou-se enredar por uma teia de questões menores que marcaram a agenda política; enquanto procura sair dela, o PS vende aos portugueses a sua produção cinematográfica, &lt;em&gt;starring&lt;/em&gt; JS, mas com os figurantes de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até ao início da presente campanha, houve momentos em que me deu vontade de castigar o PSD - tendo até conhecido instintos que desconhecia existirem na minha pessoa! - tal a inabilidade demonstrada nas lides mediáticas. Houve momentos, porém, em que me senti um verdadeiro militante do PSD - que não sou! - quando vi alguns dos seus líderes históricos - como Marcelo, Cavaco e Pacheco Pereira - aliarem-se à demagogia jornalística e de uma certa opinião pública para promoverem as suas pequeninas vinganças (para mim, &lt;em&gt;pelo umbigo morreram os mitos&lt;/em&gt;); com o correr do tempo, porém, e ultrapassadas estas questões menores, rapidamente concluo que, neste momento, nada disto tem relevância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por isso aconselho todos que me lêem a votarem, serenamente, longe das emoções; e que percebam a importância do seu voto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traçar Novas Fronteiras, pregar a Confiança, a Alegria, ser o Profeta da Mundança, alimenta-nos os sonhos, permite que nos possamos alienar da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não nos vai resolver os problemas, nem trazer progresso económico.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113292974923911436?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113292974923911436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113292974923911436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/02/mudana-para-qu-e-para-onde-fev-2005.html' title='Mudança: para quê e para onde? (Fev. 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113292923369768136</id><published>2005-02-04T11:00:00.000Z</published><updated>2005-11-25T14:33:53.696Z</updated><title type='text'>Quando será que o Estado devolve aos pais a tutela sobre a Educação dos seus filhos? - parte II (Fev. 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Perguntam-me alguns visitantes que tipo de Educação defendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se defendo uma educação para Ricos e uma Educação para Pobres?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se defendo que cada pai escolha a sua escola, e pague o preço correspondente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu defendo uma Escola onde a liberdade de escolha dos pais seja salvaguardada, onde cada pai/mãe seleccione a escola que pretende para o seu filho, onde os pais sejam verdadeiramente responsáveis: onde estes não seja obrigados a colocar as crianças em escolas que não têm aulas de inglês, que não têm computadores, onde as instalações são decadentes, porque os recursos são canalizados para pagar a professores da letra máxima que estão em horário O, ou porque é necessário suportar os salários de contínuos que não são precisos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defendo uma Escola que não interfira nas opções educativas dos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou a favor de uma Escola onde a preocupação máxima sejam os alunos, e não os interesses dos professores, dos sindicatos, dos funcionários do Ministério da Educação; quero uma Escola que esteja exposta à pressão dos pais, que seja feita para agradar aos pais, e não aos ideólogos de uma esquerda monolítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou a favor de uma Escola onde o Estado actue em livre concorrência com os privados, onde assegure, ele próprio, se realmente é capaz, a educação de futuras gerações livres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero um modelo onde o ensino de qualidade não seja um privilégio dos ricos - que podem, mesmo quando é caro, aceder a uma educação de qualidade para os seus filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero um modelo onde quem se esforça, mas não é rico, não tenha de se resignar àquilo que um Estado "paternalista" - na medida em que se substitui aos pais - obeso e ineficiente - esteja disposto a dar-lhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, quero um modelo educativo onde o Estado não interfira naquilo que cada cidadão pode e deve decidir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113292923369768136?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113292923369768136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113292923369768136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/02/quando-ser-que-o-estado-devolve-aos_04.html' title='Quando será que o Estado devolve aos pais a tutela sobre a Educação dos seus filhos? - parte II (Fev. 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113292898612070756</id><published>2005-02-04T10:00:00.000Z</published><updated>2005-11-25T14:29:46.120Z</updated><title type='text'>Quando será que o Estado devolve aos pais a tutela sobre a educação dos seus filhos? (Fev. 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;O programa eleitoral do PS, a partir da página 46, aborda a questão da Educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dada fase, afirma-se: "&lt;em&gt;Só é possível avançar no caminho da inclusão e da igualdade de oportunidades, defendendo e valorizando o serviço público de educação e a escola pública, aberta a todos&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com carácter residual, afirma-se: "&lt;em&gt;Promoveremos, também, o apoio estatal, assente na qualidade e através de formas claras e rigorosas de contratualização, ao ensino particular e cooperativo". &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Para que haja crescimento, é necessário educação. Mas será que ainda faz sentido defender-se desta forma titânica a "&lt;em&gt;valorização da escola pública&lt;/em&gt;"? O serviço público avalia-se pelos fins, e não pela natureza de quem os promove. Será que o Estado é assim tão bom gestor ao ponto de ser capaz de construir adequadamente esta famosa Escola Pública?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será uma aspiração tão grande exigir que o Estado coloque em condições de igualdade as escolas públicas e as cooperativas e privadas? Será que o cidadão não pode ter a liberdade de escolher como e quem educa os seus filhos? Será que quem não se conforma com um ensino monolítico e de pensamento único, em escolas infestadas de professores com horário O, tem de pagar duas vezes? Porque é que os portugueses perderam a exigência? Não podemos aspirar a um ensino melhor e verdadeiramente livre? Quando devolvem aos pais a tutela sobre a educação dos seus filhos?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113292898612070756?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113292898612070756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113292898612070756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/02/quando-ser-que-o-estado-devolve-aos.html' title='Quando será que o Estado devolve aos pais a tutela sobre a educação dos seus filhos? (Fev. 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113292854705332426</id><published>2005-02-04T09:00:00.000Z</published><updated>2005-11-25T14:22:27.056Z</updated><title type='text'>A miopia de Keynes e dos seus seguidores - II (Fev. 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;  &lt;div style="CLEAR: both"&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: georgia"&gt;&lt;span style="COLOR: #cc0000"&gt;Vital Moreira&lt;/span&gt;, no &lt;span style="COLOR: #cc0000"&gt;Causa Nossa&lt;/span&gt;, escreve:&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;O tabu dos impostos&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a name="110748040610606872"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: georgia"&gt;&lt;u&gt; &lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: trebuchet ms"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: georgia"&gt;&lt;em&gt;Já é um enorme ganho de seriedade e de responsabilidade política que, dada a situação das finanças públicas, o PS não prometa baixas de impostos (como o PSD fez demagogicamente em 2002, sabendo que não podia cumprir, e continua a fazer agora, embora envergonhadamente). Mas será de descartar de todo em todo a eventualidade ter de aumentar as receitas fiscais (por exemplo, o imposto sobre os combustíveis), para assegurar o cumprimento do limite do défice orçamental, em vez do recurso maciço a receitas extraordinárias no final do ano (venda de património, etc.)?"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A politica fiscal apresentada pelo PS é, desde logo, a primeira razão para &lt;strong&gt;Não&lt;/strong&gt; votar nos socialistas nas próximas eleições, pois indicia que nada vai mudar no plano das Finanças Públicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VM fala na má "&lt;em&gt;situação das finanças públicas&lt;/em&gt;". Concordo que elas estão mal. Mas isso não pode significar que não haja baixa de impostos: como quer o PS promover crescimento económico, continuando a absorver recursos do universo da economia portuguesa que é produtivo - o sector privado - para os canalizar para o sector público, onde a produtividade é baixa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em gestão, todos sabemos que os ganhos de eficiência e produtividade se impõem com maior acuidade nos contextos de dificuldade. E o ponto de partida para o sucesso passa pela exigência que se coloca em relação à libertação de recursos. Continuar a aumentar a receita do Estado, equilibrar os orçamentos pelo lado dos proveitos, é o primeiro passo para não se promoverem reformas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser bom gestor sem prescindir dos recursos é fácil; difícil é atingir metas com poucos recursos. Mas só esta abordagem permite ganhos de produtividade, e por isso este é que deve ser o desafio do Estado: ganhar eficiência numa lógica de diminuição dos seus proveitos, libertando recursos para a economia real. O desafio que as empresas portuguesas assumiram em 2002 deverá ser também o do Estado - aumento da produtividade, pelo lado dos custos. É esta a razão pela qual a receita do IRC aumentou, quando a sua taxa baixou para 25%. Este, sim, é o verdadeiro caminho para que haja crescimento económico, mais emprego, e mais progresso.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113292854705332426?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113292854705332426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113292854705332426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/02/miopia-de-keynes-e-dos-seus-seguidores_04.html' title='A miopia de Keynes e dos seus seguidores - II (Fev. 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19302510.post-113292813606337823</id><published>2005-02-03T09:00:00.000Z</published><updated>2005-11-25T14:15:36.073Z</updated><title type='text'>A miopia de Keynes e dos seus seguidores (Fev. 2005)</title><content type='html'>&lt;span class="RAF"&gt;Os impostos são os montantes que o Estado nos retira para cobrir as suas despesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado retira-nos, assim, a tutela de parte do nosso património, para poder cumprir os designios que entende adequados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Programa do PS, nas suas páginas 39 e seguintes, merece ser objecto de citação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o &lt;span style="COLOR: #ff0000"&gt;PS/2005&lt;/span&gt;, "(...) A política fiscal é um instrumento &lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: #ff0000"&gt;activo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; de solidariedade nacional em torno do processo de crescimento económico e será orientada visando a realização dos objectivos de consolidação orçamental (...)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais: "(...) O alargamento da base tributária (...) é indispensável para que o crescimento económico seja acompanhado do &lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: #ff0000"&gt;aumento de receitas&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; que permita &lt;span style="COLOR: #ff0000"&gt;&lt;em&gt;suportar as despesas de um Estado&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; moderno e competitivo e prosseguir com a estratégia de equidade fiscal (...)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"(...) No orçamento para 2005, o PS votou contra a baixa do IRS e a eliminação dos incentivos fiscais à poupança. No actual quadro de crise das finanças públicas, &lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: #ff0000"&gt;a redução do IRS põe em causa os serviços do Estado e as políticas sociais&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (...)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta linha de pensamento tem sido a ruína do país: a política fiscal como elemento activo de promoção do crescimento económico, que permite ao Estado absorver um cada vez maior número de recursos canalizados para a promoção de serviços e o desenvolvimento de políticas sociais, nada resolve, tudo piora. Cada dia que passa estamos a hipotecar o futuro. E, no curto/médio prazo, parece que não vai haver qualquer inflexão nesta tendência. No imediato, nada se muda: não temos de assumir quaisquer crises de adaptação, que são dolorosas. O que importa é confiança, traçar linhas mais distantes no horizonte. Só que, infelizmente, não estamos a ver ao longe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futuro, pouco importa. Um dos principais inspiradores dos nossos governantes dos últimos trinta anos, bem amado pelos defensores do Estado Social e interventivo, sabia bem o que dizia: para Keynes, "A longo prazo, estaremos todos mortos". Todos, não sei; quem nos governa, hoje, sim.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19302510-113292813606337823?l=arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113292813606337823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19302510/posts/default/113292813606337823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://arquivosdorafnoblasfemias.blogspot.com/2005/02/miopia-de-keynes-e-dos-seus-seguidores.html' title='A miopia de Keynes e dos seus seguidores (Fev. 2005)'/><author><name>RAF</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07764521459584101036</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
